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 Divórcio: textos e crónicas

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MensagemAssunto: Divórcio: textos e crónicas   Seg Set 28, 2009 4:00 am

study study study study

"Boa tarde a todos, sejam bem vindos a mais uma reunião de D. A’s. Todos aqui estamos nas mesmas condições, todos passámos pelo mesmo..."

Já imaginei esta cena pelo menos vinte vezes. Nós, os divorciados, devíamos ter um centro de assistência, um clube, uma associação, uma sociedade recreativa tipo Alunos de Apolo sei lá, qualquer apoio de qualquer tipo como os AA’s e os NA’s, porque isto de uma pessoa se ter casado e depois ter desistido de continuar por ali não é pêra doce.

Mas não. Uma pessoa divorcia-se e mesmo que esse seja o dia mais feliz da sua vida – uma amiga minha entrou numa perfumaria e comprou um frasco de perfume só por causa do nome Happy, tal era o entusiasmo – aquilo que nos espera e uma mistura entre um jogo do 007 de Play Station e uma travessia do deserto. E NINGUÉM percebe, a não ser que esteja a passar pelo mesmo. Ninguém nos liga nenhuma. Toda a gente nos dá pancadinhas nas costas e nos diz é pá, isso vai-te passar num instante, como se estivéssemos com uma constipação. Mas um divórcio tem mais a ver com um fundo alérgico permanente do que com um estado inflamatório agudo. Primeiro, porque numa reacção condicionada, ficamos alérgicos ao casamento. E depois, porque as pessoas ficam alérgicas a nós. E ficamos de fora nos jantares de casais, nas férias de casais, nos fins de semana de casais. Somos um número ímpar, que não serve para nada, nem para desempatar. O mundo está pensado a dois, quase tudo funciona aos pares, desde a volta da Roda Gigante até aos prémios me viagens. No Natal sentimo-nos avulso e nos casamentos sentimo-nos deslocados, olhamos para os noivos e pensamos secretamente: coitadinhos, ainda há de chegar o vosso dia.
Mas nem sempre tudo é mau. Se uma pessoa se divorcia, em princípio, é para se ver livre de um chato ou de uma chata qualquer. É para mudar de vida, e quando se muda, espera-se que seja para melhor. As mulheres encurtam as saias, vão para a ginástica, pintam o cabelo e passam a guiar com a música aos gritos e a janela do carro aberta, porque, citando um amiga minha que é uma sábia nestes assunto do coração, o príncipe está em toda a parte. E eles, os sapos candidatos a príncipes que regressam à arena, alugam um apartamento pequeno numa zona in, adquirem uma aparelhagem XPTO e um sistema de TV,DVD Video & Colunas Sensoround Inc. e compram um descapotável. É um clássico. Os que não andavam no ginásio, inscrevem-se e os que já andavam começam a colar o nariz ao vidro da aula de localizada, cheirando, como se diz no Alentejo. E, depois de um período de tristeza e neura, recomeça a caça. Já sabem o que penso deste assunto: o homem caça e luta, etc, etc – bolas, já devia andar a pagar direitos de autor ao Michelet, ando sempre a citá-lo – e a tourada recomeça.

Há várias maneiras de entrar na tourada. Por isso, antes de entrar na arena, é melhor escolher que papel é que se vai ter em campo. Ele há os peões de brega que servem para colocar o bicho para o toureiro principal, ele há os toureiros a pé, ele há os cavalos, os cavaleiros e o próprio bicho. Eu prefiro guardar-me na sombra, a assistir de camarote ao espectáculo, enquanto pisco o olho ao Inteligente, mesmo que ele tenha pouco jeito para tocar a corneta. É que quem vai a guerra dá e leva e nem com capacete e cota de malhas um ingénuo e bem intencionado mortal se livra de levar umas cornadas. Claro que também, como aliás em tudo na vida, é uma questão de sorte. É melhor um touro bravo e resmungão mas leal e com uma investida clara do que um mansinho que baixa a cabeça a bate o pé – neste caso a pata – mas que nos colhe na curva ,isto é, de cernelha, enganando-nos com mutações de carácter. Se nos sai um touro na rifa, é melhor ter pedigree, ou seja, sabermos de onde vai e para onde vai mesmo que o próprio, numa fase de momentânea desorientação, esteja muito excitado com o barulho das luzes e ande a marrar a torto e a direito. E muita atenção aos ferros no lombo; os curtos e grossos são os que doem mais. Até porque quando a luta tiver acabado, aparecem logo não sei quantas vacas – ou bois - com vocação para lamber as feridas da vítima.

Chega de metáforas taurinas que o assunto é sério. Até porque há quem nunca levante a cabeça e saia definitivamente da pseudo penumbra pós traumática de ter a abreviatura Div. no BI. Porque é que não imaginam que Div. também pode ser abreviatura para divertido, diversificado, diversão? Os ex inconsoláveis são a raça mais chata do mundo, porque ou ficam neuróticos e incapazes de se entusiasmar com qualquer outra pessoa, ou decidem vingar-se no próximo ou próxima o mal que sofreram. Nestes casos, o melhor é guardar distância e esperar que lhe passe a estupidez. A alguns nunca passa, mas isso é problema deles. E depois há aqueles que gostam imenso de se casar e por isso não descansam enquanto não encontram um para que também goste de praticar o mesmo desporto. Os que gostam de se casar estão sempre safos, porque como geralmente as mulheres também ligam muito a estatuto, encontram com facilidade uma consorte. Mas estes são poucos, porque uma coisa que se descobre depois de levar com o carimbo do div. no BI é que se pode namorar até ao fim da vida, sem ninguém ter que se casar outra vez. Só a trabalheira que dá, a festa, os convites, a roupa, a data, a lista, não compensa o esforço. Até porque quem casa segunda vez não se pode ter esquecido do trabalho que deu o divórcio. E quem é que disse que o casamento é o primeiro passo para o divórcio? Um cínico qualquer que também era lúcido.

Se a vida te dá limões, faz limonadas. Isto foi o que me ensinou uma amiga minha que já fez imensas limonadas com os limões que o marido lhe foi dando ao longo da vida. Quando lhe perguntei porque é que com tanta tourada nunca se tinha separado, respondeu que não valia a pena porque eram todos iguais e além disso ela achava que ele era a metade da laranja dela. E não pensem que se trata de uma engenheira agrónoma, gosta é de fruta. Esta conversa da metade da laranja sempre me deixou um bocado confusa. É que hoje em dia somos tantos biliões, como é que eles lá em cima têm tempo para separar as almas? E se a minha metade estiver em Laos, tiver a pele amarela, um metro e vinte e nove a trabalhar na apanha do arroz?

Agora a sério, depois do divórcio fica-se com um certo medo de não voltar a acertar. E por isso, na maior parte das vezes, é melhor não arriscar. Estar casado não é um estado civil, é um estado de espírito e estar divorciado que é como quem diz, solteiro, também é. Até porque como hoje deve haver mais divorciados do que casados, o estigma já é muitas vezes ainda estar casado. As pessoas perguntam por um amigo que não vêm há anos: fulano de tal ainda está casado? Como se se tratasse de um feito histórico com direito a condecoração.
O exercício que se propõe aqui é o seguinte: uma pessoa tem ou não feitio para estar casada? Uns sim, outros não. E os que não têm, não devem ser dementes e repetir os mesmo erros à espera de resultados diferentes. O problema é que os homens, que pensam que não têm, quase sempre não passam sem uma mãezinha que lhe ponha a vida em ordem. E as mulheres, mesmo as mais independentes, sentem a falta de alguém que lhes aconchegue os lençóis à noite e pendure os varões das cortinas novas do quarto das crianças.

Resumindo e concluindo, se calhar andamos todos a brincar à pessoas autónomas, quando no fundo no fundo adorávamos encontrar alguém que gostasse mesmo de nós e para quem nós fossemos mesmo importantes. A tal cara-metade ou metade da laranja que às vezes nos sai cara. Vai uma limonada?


Divorciados Anónimos - Crónica de Margarida Rebelo Pinto

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Última edição por Admin em Seg Set 28, 2009 4:07 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Seg Set 28, 2009 4:06 am

study study study study

«Aos fins-de-semana quando não saio com a minha prima Bé fico em casa a ver televisão. Ver televisão quer dizer regar as plantas da marquise, ler o horóscopo nas revistas, desfazer o tricô do domingo anterior, mudar de canal de 20 em 20 segundos e pensar em matar-me.

O problema é que assim que me levanto para tomar os lexotans todos de uma vez a minha mãe telefona de Alcobaça a saber como estou, ouço-lhe os gritos no atendedor de chamadas (a minha mãe que tem um medo danado dos telefones sempre falou aos gritos) e como não é possível a gente suicidar-se e conversar com a mão ao mesmo tempo, desisto das pastilhas e garanto-lhe que estou óptima, não tenho febre, fumo no máximo três cigarros por dia, como bem, não emagreci (- de certeza que não emagreceste?) para a semana visito-a em Alcobaça sem falta e qualquer dia, palavra, encontro um rapaz como deve ser
(- Não acredito que não haja um rapaz como deve ser no teu emprego filha) torno-me a casar, desligo o telefone com um tal cansaço e uma tal dor de cabeça que a única coisa que tenho vontade é de uma aspegic e silêncio, deixei de ter ganas de me suicidar visto que uma pessoa não consegue matar-se se estiver mal-disposta.

Nos fins-de-semana em que saio com a minha prima Bé vamos à Loja das Meias e à Escada sonhar com blazers de caxemira (- Pode ser que com o subsídio de Natal lá chegue) e casacos compridos, chateamo-nos como peruas nos filmes que os jornais gostam, encontramo-nos num bar com colegas da escola dela que descobriram na semana passada um restaurante em Alcântara e já me sucedeu acordar aos domingos de manhã num apartamento de Campo de Ourique ou do Beato ao lado de professores de Matemática com iogurtes fora do prazo no congelador, um chinelo esquecido no bidé e um cinzeiro de folha a transbordar beatas no soalho, junto de uma chávena de café quebrada.
Incapaz de tomar banho num chuveiro em que faltam o sabonete e a água para além de se achar ocupado por um montão de jornais velhos, volto a toque de caixa para o Lumiar sem me despedir do barbudo que ressona de queixo na almofada (- Não acredito que a Bé não conheça um rapaz como deve ser) com um ombro fora do pijama descosido e adormeço até que os gritos de Alcobaça me acordam, de coração aos pulos, para inquirirem no atendedor de chamadas se não tenho abusado dos fritos.

Não abuso dos fritos, não abuso do tabaco, não abuso do álcool, não abuso do sexo, não abuso de nada mãe: oiço crescer o pêlo da alcatifa, mudo de 20 em 20 segundos a televisão de canal e leio o meu horóscopo na penúltima página dos magazines femininos a seguir ao caderno da moda e a um artigo que explica como um cinto de ligas e uns sapatos vermelhos poderiam mudar a minha vida afectiva. Com um cinto de ligas os iogurtes fora do prazo desapareceriam do congelador? Com sapatos vermelhos encontraria chuveiros sem jornais? O meu horóscopo para esta semana, dividido como sempre em três partes, saúde (cuidado com o fígado!), finanças (atenção às despesas excessivas!) e amor, prevê para quarta feira, e no que respeita a paixões, um encontro inesperado que me alterará para sempre a existência. Quarta feira foi ontém e o encontro inesperado que tive consistiu em esbarrar com o meu ex-marido no metropolitano: deixou crescer o bigode, vinha acompanhado por uma mulata com metade da idade dele e nem sequer me viu. Ter-me-á visto alguma vez?
Em todos os canais de televisão passam novelas brasileiras. Oiço a chuva de Outubro contra os vidros e o casal do andar de cima a gemer ao ritmo da cama. Se me levantar para tomar os lexotans todos a minha mãe vai desatar aos gritos no atendedor de chamadas, de maneira que o melhor é ficar quietinha no sofá a olhar as plantas e o retrato do meu sobrinho bebé sem pensar no suicídio. Para quê?

Durante seis meses poupo nos almoços (uma bica, um croissant e um pastel de bacalhau) comidos em pé ali no centro, compro o blazer da Escada e uns sapatos vermelhos, a colega que vende ouro no escritório prometeu baixar-me as prestações do anel e passo o serão sozinha, de blazer, sapatos e cachucho, lindíssima, a mudar de canal e a ouvir o pêlo da alcatifa crescer.»

António Lobo Antunes, Livro de Crónicas, edições Dom Quixote (1995)

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analu



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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Ter Set 29, 2009 1:42 am

Só uma palavra: excelente!!!
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alice.rosa



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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Ter Set 29, 2009 2:39 am

O segundo post ja tinha lido... Smile acho que ja o tinha colocado aqui ou pelo menos o link Smile

Mas amei o primeiro. Adoro a escrita da Margarida... è leve mas profunda Smile
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tounessa



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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Dom Dez 13, 2009 1:38 am

Ultimamente anda deprimido: a mulher deixou-o e pediu o divórcio por causa de uma discussão sem importância. Não entende que uma discussãozeca acabe com um casamento de dezanove anos

Não é uma pessoa, é um monumento: um metro e noventa e quatro de altura, cento e dez quilos de peso, mãos gigantescas, uma força desmesurada, calça quarenta e oito, ocupa uma mesa inteira de garrafa de cerveja na mão, enche o tasco com a voz e ninguém se atreve a interrompê-lo. Não precisa de zangar-se: resolve qualquer problema com uma frase definitiva que me deixa de boca aberta de admiração. Primeiro exemplo: a empregada do tasco não havia maneira de lhe atinar com a conta e ele estimulou-lhe as capacidades mentais com uma ordem definitiva:

- Ó flor pensa com a raiz.

Segundo exemplo: um fulano entrou no dito tasco com os óculos escuros subidos até ao cabelo e vai ele:

- Roubaste os óculos a um gajo mais alto do que tu?

Terceiro exemplo: impacientou-se não sei com quem e preveniu

- Olha que eu dou-te uma lambada que dás três voltas à cueca sem tocar no elástico.

Quarto exemplo: andavam esses sujeitos da Câmara, vestidos de verde, a multar com entusiasmo, uma das minhas filhas hesitava em arrumar o automóvel num lugar proibido e ele sossegou-a, diante dos sujeitos verdes amedrontados:

- Ponha-o aí à vontade, menina: por cima de mim só os aviões.

E podia multiplicar os exemplos até ao infinito. Ultimamente anda deprimido: a mulher deixou-o e pediu o divórcio por causa de uma discussão sem importância. Não entende que uma discussãozeca acabe com um casamento de dezanove anos. Ainda por cima um problema de caracacá: que culpa tem ele da fragilidade da esposa:

- Mal lhe rocei partiu logo os dois braços

e isto numa surpresa sincera, a espalmar-se de inocência contra o peito:

- Pela felicidade dos meus filhos que mal lhe rocei, senhor doutor.

É camionista

(se calhar, em vez de conduzir, leva o camião às costas)

bruto e sensível ao mesmo tempo, de lágrima tão fácil quanto o murro, pronto a enternecer-se e a zangar-se, imprevisível na violência e na compaixão, orgulhoso e humilde, tão solitário no fundo, de uma agudeza instintiva e certeira que uma matreirice sem maldade acompanha. Quando pega na cerveja a garrafa desaparece-lhe na palma e o balcão cheio de gargalos vazios. Nunca o vi bêbado mas se calhar tão pouco sóbrio, navega numa zona intermédia, de álcool à vista. Agora, sem mulher nem filha

- Tem treze anos, um metro e oitenta e dois e calça três números abaixo do meu

passeia melancolias nos intervalos das viagens, sempre de fato e gravata, penteado, perfeito. Mostra-me fotografias da filha gigantesca, retiradas com dificuldade da confusão da carteira. Digo-lhe que é bonita, corrige

- Um Ferrari

e dissolve-se, imóvel, numa saudade comprida. A filha não terá apreciado os braços partidos da mãe, vá-se lá saber porquê, e recusa vê-lo, de modo que lhe ronda a escola à hora da saída, escondido numa árvore do outro lado do passeio. Mal a filha apanha o autocarro, sem dar por ele, volta a pé para o tasco a lutar contra uma humidade ácida que, de repente, lhe incomoda os olhos. No tasco as garrafas de cerveja triplicam e não se torna especialmente aconselhável falar-lhe. Por volta da vigésima oitava pede a conta, a empregada não acerta e lá vem o

- Ó flor pensa com a raiz

mas sem alma, cansado. Levanta-se devagar, vai-se embora sem cumprimentar ninguém e apesar de por cima dele só os aviões ei-lo indefeso e minúsculo, um trapinho à deriva que qualquer sopro empurra. Uma ocasião anunciou-me

- A vida não é fácil, senhor doutor

deu-me uma palmada nas costas que ele julgava cúmplice e me desarrumou os órgãos todos e sumiu-se deixando-me de fígado no peito e coração no umbigo: quase dei três voltas à cueca sem tocar no elástico. Nas últimas semanas não o tenho visto. Contaram-me que foi com o camião para o estrangeiro, o Luxemburgo ou assim, e esses trabalhos demoram muito tempo. Fingi que acreditei. Fingi tanto que acreditei de facto embora sabendo, no interior da alma, que era mentira. Ontem tive no jornal a prova disso ou pode ser que o jornal se referisse a outra pessoa. Vinha lá escrito que um camionista deixou o volante à beira de uma linha férrea, marchou uma centena de metros ao longo das calhas e abraçou-se

(como quem abraça uma filha?)

ao primeiro comboio que apareceu. O retrato no jornal é o dele mas talvez eu esteja enganado. De certeza que estou enganado: parecemo-nos tanto uns com os outros, não é?

(António Lobo Antunes, in: http://clix.visao.pt/o-flor-pensa-com-a-raiz=f539728)
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Sex Jan 29, 2010 1:07 pm

Artigo sobre separações

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tounessa



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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Ter Mar 09, 2010 10:04 am

É muito comum uma pessoa quase divorciado ou a tratar do divórcio recorrer a este estratagema:

“ … Tendo o Autor, durante o seu processo de divórcio e na vigência de união de facto com a Ré, concordado que, em nome desta seria contraído um empréstimo para aquisição e remodelação de um imóvel onde iriam viver, assumindo o Autor o compromisso de satisfazer todos os encargos com esse negócio, com a condição de findo o divórcio, a Ré transferir para ele a propriedade do imóvel – que entretanto foi registado em nome dela – existe enriquecimento sem causa, por parte da Ré, quando, cessada a união de facto e decretado o divórcio do Autor, a Ré, que em termos materiais nada contribuiu para a aquisição do imóvel nem comparticipou nas despesas que tiveram de ser feitas, se recusa a honrar o compromisso assumido, porque, entretanto, ocorreu ruptura na união de facto … “

( in: http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/371d057dfd0d7adb802576e100574364?OpenDocument )
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Ter Mar 30, 2010 9:47 am

Em cheio … na muche !!!

“… Na maioria dos casos, a iniciativa do divórcio parte das mulheres. … Quando as mulheres começam a ameaçar separar-se, os homens clamam que não aguentam ficar longe dos filhos. As mulheres espantam-se, porque nunca deram pela força do amor paternal: era cala-te puto que o pai quer ver o telejornal, estás aqui estás a levar uma lamparina - e, de repente, a criança ignorada torna-se o centro do mundo. Este discurso tem o condão de comover as outras mulheres que querem ficar perto destes pais extremosos, e de quem eles não querem mais do que umas cópulas revigorantes …”

A felicidade tem mau marketing porque exige coragem. Para começar, a coragem de aguentar os dichotes desdenhosos dos que desistem dela. Um rapaz que aos 65 anos vai no quarto casamento, dizia-me há dias que está farto de ser olhado com paternalismo por homens acomodados na rotina das pantufas conjugais e dos engates ocasionais. Diz este meu amigo que não entende como conseguem as pessoas dormir com alguém que já não desejam e desejar alguém com quem não podem dormir. Talvez não sejam capazes de desejar sem interdições, o que significa que o objecto real do seu desejo é o proibido. É difícil estimarmos aquilo que temos. Lembro-me sempre da história daquele homem que, sendo encantador com a noiva durante os seis anos em que noivaram, se tornou frio e bruto ainda na lua-de-mel. Quando a mulher lhe perguntou a causa daquela mudança, retorquiu: "Ninguém corre atrás de um comboio quando já vai lá dentro." Uma história de outros tempos, como pensa a própria protagonista, hoje já transformada em comboio vazio por morte do ingrato passageiro? Nem por isso. Raros cavalheiros se atrevem hoje a expressar o que lhes vai na alma com a eloquência deste falecido apreciador de comboios em fuga - tornaram-se mais cuidadosos no falar, desde que os comboios se transformaram em TGVs supersónicos. Uma palavra a mais pode provocar uma sacudidela a alta velocidade, capaz até de os catapultar para o desabrigo da linha férrea, onde não se servem refeições quentes nem programas de televisão. Há dias, queixava-se-me um recém-divorciado, em voz de desespero: "Mulheres interessantes até há, mas todas tão incapazes de estrelar um ovo como eu!" Citei-lhe as frases finais do fabuloso "Annie Hall", de Woody Allen: "- Doutor, estou preocupado, o meu irmão julga que é uma galinha. - Então traga-mo, para eu o tratar. - Eu trazia, mas preciso dos ovos." Uma citação propositadamente deslocada, porque me deprime menos pensar que todos nós precisamos de uma qualquer espécie de ovos ainda por inventar (a Clarice Lispector percebia muito disso) do que pensar que os seres com quem contraceno andam mesmo e só à procura de ovos bem estrelados.

Na maioria dos casos, a iniciativa do divórcio parte das mulheres. Por causa dos ovos estrelados, ou dos ovos que cresceram e se tornaram filhos. Elas, em caso de necessidade, ainda sabem partir ovos - e entrar ou sair de comboios em andamento, mesmo com as mãos cheias de sacos de supermercado. E são elas quem fica com os filhos. Quando as mulheres começam a ameaçar separar-se, os homens clamam que não aguentam ficar longe dos filhos. As mulheres espantam-se, porque nunca deram pela força do amor paternal: era cala-te puto que o pai quer ver o telejornal, estás aqui estás a levar uma lamparina - e, de repente, a criança ignorada torna-se o centro do mundo. Este discurso tem o condão de comover as outras mulheres que querem ficar perto destes pais extremosos, e de quem eles não querem mais do que umas cópulas revigorantes. Com tanto sentimento, não sei como sobrevive a prostituição. Deve estar reduzida àqueles de quem nunca ninguém quis ter um filho. Pobres trabalhadoras.

Um homem que se case muitas vezes, e de sua livre iniciativa (isto é, sem ter sido empurrado do comboio por uma mulher farta de o aturar) é visto como um ingénuo: escolhe a chatice da mudança e da despesa constante, em vez do regalo do lar e o consolo dos casos por fora. Para quê mudar, se nada é eterno e tudo se torna hábito? Precisamente por isso, diz o tal meu amigo que insiste em casar-se: "A vida é demasiado curta para perdermos tempo a entediarmo-nos. Eu gosto de partilhar tudo. Acho que se aprende mais a dois do que sozinho, do mesmo modo como se aprende mais tendo amigos do que não tendo. É uma tristeza viver com uma pessoa com a qual já não se partilha tudo." Vidas cinzentas. Hipócritas, mas isso é o menos - o pior é a tristeza, porque chega um dia em que já não há crianças barulhentas em casa nem sobra charme para engatar a vizinha. E morre-se sem ter mudado nada. Morre-se sem ter experimentado o trabalho infinito da felicidade. Este meu amigo não vai morrer assim. Será lembrado com alegria pelos três filhos e pelas várias mulheres que soube amar. O amor não se perde, apenas muda de natureza. Desde que saibamos escutá-lo e acarinhá-lo. Há é pouca gente para dar por isso.

Inês Pedrosa, in: http://aeiou.expresso.pt/ines-pedrosa=s23492
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Qua Abr 07, 2010 11:31 am

Sinais, dicas e histórias de quem se separou e voltou a viver




Renata Rode, colaboração para o UOL
jan/2010

É inevitável. Quando o relacionamento começa a passar por muitas adversidades, vem a dúvida: será que eu separo? Muitos casais vivem atualmente uma vida insatisfeita pelo medo de enfrentar a separação. “Às vezes, eles nem pensam na própria felicidade, e sim no julgamento que sofrerão por parte da sociedade, como também no trabalho que vão ter em buscar, depois da frustração, um novo parceiro ou parceira para dar continuidade à vida afetiva”, explica a psicóloga Bruna Spotti. Esse sentimento tomou a vida e os pensamentos de R.R., publicitária de 29 anos, que acaba de romper o segundo casamento. “Na primeira vez em que me separei não pesou tanto, porém nesta última pensei muito no que as pessoas iam dizer e resolvi me convencer de que eu precisava ser feliz e, para isso, não poderia me importar com o julgamento alheio. Hoje, quando ouço piadas do tipo: ‘nossa, você vai ficar para tia’, eu devolvo com um sorriso e pronto”, explica.


Divórcio não é mais novidade como antigamente. Segundo estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de separações conjugais no país cresceu 200% nos últimos 23 anos. E esse aumento tem muitas explicações. A evolução da exigência pelo parceiro, a revolução e independência femininas, a descoberta da infidelidade por parte de um ou outro e até a insatisfação sexual são motivos que levam à dissolução de um casamento.


Um estudo realizado pela marca de desodorantes AXE e o Instituto QualiBest, revelou três características marcantes nas mulheres atuais, quando comparadas aos homens: elas mudam constantemente suas opiniões, tem facilidade em conversar sobre todos os tipos de assunto e são mais adaptáveis às mudanças. “Com tantas quebras de paradigmas, necessidades de mudanças e busca pelo novo, as mulheres perdem o interesse por uma novidade rapidamente”, declara Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora titular de Sociologia da USP (Universidade de São Paulo) e coordenadora da pesquisa.



Depois que me acostumei com a separação foi o máximo descobrir que ainda estou viva, que ainda sou mulher e, o melhor, que ainda sou desejada. Estou amando redescobrir tudo isso!A. G., 35 anos, empresária

E como são as mulheres que conduzem muitos relacionamentos, elas acabam por decidir o destino dos dois. É o caso de M.J., 32 anos, representante de vendas, recém-separada: “Para ele estava tudo bem, mesmo com a gente se falando menos a cada dia. Impressionante, quando eu cheguei para pedir o divórcio, ele me perguntou o motivo. Quando enumerei, ele concordou assustado”.


Isso é normal, já que são as mulheres que provocam a DR – discutir a relação. “A mulher é mais questionadora em tudo, sempre foi e será assim. Somos mais perceptivas a sinais que passam pelos homens sem efeito algum, porque somos mais panorâmicas. Homens são mais focados e objetivos. Isso vem da história da evolução de ambos”, ensina Bruna. Sim, antigamente, eles saíam para caçar e as mulheres ficavam nas cavernas acompanhando o desenvolvimento dos filhos e prestando atenção em tudo o que acontecia à sua volta.


E como saber se chegou o momento?


“Depois que me acostumei com a separação foi o máximo descobrir que ainda estou viva, que ainda sou mulher e, o melhor, que ainda sou desejada. Estou amando redescobrir tudo isso!”, diz a empresária A. G., 35 anos. É claro que para tomar uma decisão importante como essa você precisa ter certeza. Alguns sinais podem ajudar a identificar se o relacionamento está indo por água abaixo ou não. A ausência de sexo é, sem dúvida, um alarme importante, mas você precisa notar se isso é uma fase ou virou regra na vida do casal.



Quando se começa a culpar o outro pelo próprio sofrimento, pronto, eis o alerta vermelho. Daí para o fim é um puloGustavo Gitti, especialista em relacionamentos

“Ficamos sem nos beijar por quase um ano e chegou um momento em que a falta de carinho era normal entre nós. A rotina, a chegada do segundo bebê, problemas financeiros e a correria do dia a dia, além do meu inesperado ganho de peso devido a uma depressão oculta, contribuíram para tudo. Só enxerguei que precisava tratar de mim e do meu casamento quando tive certeza de que meu marido me traía. Aí, corri atrás”, diz a dentista J. A., 29 anos, que quase se separou, mas conseguiu retomar a felicidade a dois, depois de perceber os problemas e conversar com o parceiro.


Segundo os terapeutas, não existe uma fórmula mágica. Tudo depende muito de um diálogo que deve existir entre os dois e, principalmente, de conhecimento interno de cada um. Às vezes, é preciso sair um pouco da história e se colocar como espectador mesmo. “Costumamos achar que o amor morre quando paramos de receber, mas ele já está morto bem antes, quando paramos de oferecer. Tanto é que, para decidir se voltamos ou não, naquelas infindáveis conversas cheias de exigências, achamos que a relação só pode continuar se o outro fizer certas coisas”, afirma Gustavo Gitti, criador do blog sobre relacionamentos lúcidos: www.nao2nao1.com.br. “Quando se começa a culpar o outro pelo próprio sofrimento, pronto, eis o alerta vermelho. Daí para o fim é um pulo”, conclui.


Para recomeçar


Como tudo que é novo, recomeçar a vida depois de uma separação não é somente um mar de rosas. Quando há filhos envolvidos então, as seqüelas são maiores já que os sentimentos de dor e perda afetam outras pessoas que dependem de você também. O melhor nesse momento, por incrível que pareça, é manter o bom humor. Mas selecionamos algumas informações que vão convencê-lo que não é o fim do mundo, sabia?


Um bom indício é a quantidade de solteiros na praça que tem aumentado ultimamente. Segundo estatísticas do IBGE, o número de homens e mulheres que vivem sós hoje no país é praticamente igual (49,6% de homens e 50,4% de mulheres). Esse número é um mix de jovens que moram sozinhos por conta de emprego ou estudo longe de casa, mas também resultado do aumento de separações. Além disso, o estudo leva em consideração o crescente público gay com a liberdade de assumir sua orientação sexual e a independência e exigência feminina em encontrar um parceiro à altura. Aliás, uma das dicas é: não se apresse em achar alguém. “Mulheres independentes demais assustam os homens. Elas são bonitas, dinâmicas e inteligentes, assim procuram um parceiro com o mesmo nível ou acima, inclusive, financeiro", diz Sheila Chamecki Rigler, pedagoga e diretora da Consultoria em Relações Humanas e Agência de Casamentos Par Ideal.


Para Ana Leandro, autora do livro e blog Diário de uma Divorciada, há vida depois do divórcio e ela não é nada má. “O divórcio é uma alternativa de vida; uma hipótese de mudança, de recomeço equivalente a apagar e fazer de novo. Por um lado, é uma necessidade de libertação; por outro, uma espécie de rendição. Um divórcio é sempre um passo. Um passo pequeno, tímido ou decidido, mas é apenas um passo. Caminhar é outra coisa”.



Volta ao mercado


Uma das grandes dúvidas quando se retoma a vida de solteira ou de solteiro é como agir durante ou depois de uma paquera. Anote:




  • Se o pretendente se interessou, ele liga. Não tem tia morta, trabalho ou problema que não o faça ligar caso ele tenha gostado de você. Quando um homem está a fim, ele corre atrás.

  • Mulheres, diga não aos homens comprometidos, afinal, se eles não conseguem resolver problemas em um relacionamento, que dirá em dois.

  • Homens, diga não às mulheres casadas porque mais do que viver uma aventura, você pode acabar gostando e sofrendo com isso (investindo no relacionamento superficial por estar carente).

  • Quando ouvir “você é boa demais para mim”, acredite: realmente você é e por isso ele não te merece (essa é uma das piores desculpas da face da Terra).

  • Se você tem intenções sérias de relacionamento, deixe isso claro depois de alguns encontros. Afinal, ninguém é obrigado a ficar adivinhando se está ou não namorando, certo?


Para se dar bem


O especialista em relacionamentos Gustavo Gitti dá três dicas infalíveis para encarar o pós-divórcio numa boa:




  1. Evite conselhos alheios e dirija o foco para estabelecer uma vida rica de experiências positivas. “Quando meu último relacionamento terminou (de cinco anos, três como casados), procurei passar um tempo sozinho e alinhar meu direcionamento na vida. Aprendi dança de salão, meditei mais regularmente, me envolvi com projetos mais amplos, comecei um site para ajudar outros em seus relacionamentos, enfim me mantive ocupado e com a cabeça em plena produtividade.”

  2. A chave para superar a sensação de abandono é descobrir quais são suas habilidades e oferecê-las ao mundo, beneficiando e movimentando o máximo possível de pessoas em direções positivas.

  3. Se você se envolver com outros por carência, vai continuar se sentindo carente, mesmo depois de passar 30 noites com parceiros diferentes. “Se você começar a se mover com liberdade e autonomia, se começar a oferecer experiências aos outros, uma noite é suficiente para deixá-lo feliz ao ver felicidade nos olhos do outro. É esse o tipo de felicidade que nos satisfaz.”


Para manter um relacionamento


Vamos direto ao ponto? Dicas para casais que moram juntos, por Gustavo Gitti:




  • Ame a rotina e cada momento que ela proporciona.

  • Elogiem, apreciem e estimulem as qualidades positivas um do outro.

  • Sintam a felicidade e o prazer de proporcionar felicidade e prazer ao outro no sexo e liberem-se totalmente.

  • Sonhem juntos, construam universos de imaginação e poesia com o qual vocês possam brincar diariamente.





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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Qui Abr 08, 2010 10:14 am

… De acordo com o Anuário Estatístico de Portugal 2008, foram decretados, nesse ano, no país, 26.885 divórcios. …
… Um estudo realizado, recentemente, … indica que o Facebook foi apontado como motivo para 20 por cento dos pedidos de divórcios … nos últimos cinco anos, aumentou a utilização de dados partilhados nas redes sociais como prova em caso de litígio no casamento. A história de Marta e Renato … mostra que o fenómeno já se sente em Portugal. ….
Marta não culpa a Internet pelo fim do casamento de 22 anos. "As pessoas é que já têm cabeças mal estruturadas. A única coisa que a Internet proporcionou ao meu ex-marido foi conhecer uma pessoa que, de outra maneira, não teria conhecido", diz. …

… As redes sociais podem ser hoje palco de acusações e argumentos amargos entre ex-companheiros

in: http://www.publico.pt/Tecnologia/vai-divorciarse-apague-a-sua-conta-do-facebook_1431180
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Qua Abr 21, 2010 10:50 am

60% dos divorciados realizaram casamento pela Igreja.
Os divórcios já são mais de metade dos casamentos.
Três em cada cinco são de católicos que ficam limitados na prática religiosa.

Isabel é uma católica convicta, praticante e com serviço à comunidade. No coro que assiste à missa, como catequista, nos encontros de casais (equipas de Nossa Senhora), a aconselhar os futuros casais (Centros de Preparação para o Matrimónio) ou nas actividades dos escuteiros. Até ao dia em que pôs o seu casamento em causa e desfez os laços que a hierarquia religiosa considera serem indissolúveis. Foi obrigada a deixar algumas práticas religiosas, como o comungar. Sentiu-se injustiçada!

A injustiça é sentida por muitos casais católicos que se divorciam todos os anos. Em 2008, constituíram 60,5 % do total de divorciados, 26 110, um número que já é mais de metade dos casamentos anuais, 43 228.

O direito ao divórcio foi uma das primeiras bandeiras dos católicos a seguir ao 25 de Abril de 1974 e que lutavam contra a Concordata, de 1940, que os impossibilitava de se divorciarem. Voltaram a poder fazê-lo um ano depois da Revolução, mas a hierarquia religiosa impede-os de recasar e de participarem activamente na eucaristia, nomeadamente na comunhão e no apadrinhamento de uma criança.

Isabel Lopes, 52 anos, dois filhos adultos, casou pela Igreja Católica aos 23 com o primeiro namorado que teve, união que durou até aos 43, quando o casal já nada tinha de harmonia. Poderia manter as aparências... mas achou que tinha o direito a ser feliz. "Claro que me senti muito dividida, senti que estava a cortar com uma série de princípios que eu defendia, mas vivia numa situação insustentável", justifica.

Divorciou-se e voltou a constituir família. E a Isabel catequista e mentora deixou de ser um exemplo para a Igreja. "Vivo em concubinato, é assim que a Igreja me classifica. É uma revolta!", diz.

Isabel procurou apoio junto do casal responsável pela equipa de Nossa Senhora a que pertencia, que a acompanhou, embora tenha começado por a dissuadir. "Excepcionais, sempre me apoiaram desde o início." Foi o seu porto de abrigo, já que a família a rejeitou.

"Continuei a pertencer ao grupo da Igreja, mas o que acontece é que nós próprios nos vamos afastando, deixamos de nos sentir integrados." Não pode participar em pleno nas celebrações religiosas e não comunga por saber que é uma prática que lhe é proibida. "É contra a minha consciência. Embora os párocos, que me conhecem desde a adolescência, tivessem dito que não me recusariam a comunhão... mas também me disseram que isso não era bem-visto pela comunidade. Havia pessoas que me viravam a cara", lembra.

Hoje, a instrutora e sócia da Escola de Condução Paço d'Arcos vai à missa e continua a fazer parte do coro da paróquia, mas desligou-se da restante prática religiosa. "Volvidos oito anos, passada a minha experiência e tendo visto outras separações de filhos de pessoas que frequentam a igreja, sinto que existe uma aceitação na paróquia que na altura não senti", refere. Mas não acredita numa abertura por parte da hierarquia religiosa em relação aos católicos divorciados. E, muito menos, que isso aconteça no pontificado deste Papa.

Bento XVI defende que a Igreja deve manter "com firmeza" o princípio da indissolubilidade do casamento e critica quem tende a abençoar essas uniões, que considera "ilegítimas". A posição, que manifestou num encontro com bispos em Lourdes, França, em Setembro de 2008, foi interpretada como sendo um puxão de orelhas aos padres que promovem iniciativas a abençoar tais casais

(CÉU NEVES, in:http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1549395 )
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Dom Abr 25, 2010 7:05 am

… É verdade que ali pelos sete ou dez anos há uma consolidação ou crise do casamento. É a altura em que as pessoas já se conhecem e já tentaram resolver os problemas: ou conseguiram ou os problemas vão-se agudizando. Se olhar para os divórcios, a taxa maior está entre os dez e catorze anos de relação. Depois começa a baixar. Nos segundos casamentos, os primeiros cinco anos são mais determinantes. Portanto, divirtam-se o mais possível …

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Primeiro escuta os casais. Depois aplica a terapia certa. No fim salva o casamento. Os conselhos do psiquiatra José Gameiro, in: http://www.ionline.pt/conteudo/56778-dr-casamento-elas-sao-mais-melgas-eles-sao-incompetentes
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Elas são mesmo chatas?
Não estou a dizer que elas são, são os estereótipos femininos… Até tenho uma perspectiva mais feminina do que masculina nestas coisas. Acho que eles são incompetentes a maior parte das vezes enquanto maridos, no sentido de cultivar o casamento. Esse problema é muito mais masculino do que feminino. E elas às vezes são muito melgas e são, de facto, chatas. Mas há um estereótipo masculino e feminino nos casais, continua a haver.

Quando um casal entra no seu consultório, já está em esforço.
São poucos os que vêm fazer prevenção - casais divorciados que voltam a casar. Vêm trabalhar o casamento por causa dos filhos. A maioria já tem problemas e a maior parte das vezes há muito tempo e normalmente tiveram uma crise aguda recente. As crises agudas recentes são normalmente infidelidades.

Mas, no fundo, trata-se de assumir que o casamento ou a relação está doente.
Não é bem assim. Há 30 anos, não havia tantos divórcios como hoje, os casamentos não eram tão instáveis, mas a terapia familiar estava a arrancar em Portugal. Agora os casais vão lá, a maior parte das vezes, porque ouvem falar de terapia de casal. Mas também vão porque já esgotaram todas as possibilidades de, entre eles, resolverem os problemas. E isso é muito mau para nós. Casais que têm dez anos de conflitos são muito mais difíceis do que aqueles a quem aconteceu uma crise. As crises, sejam elas quais forem, são as melhores situações para um terapeuta de casal.

Mas os casais não deveriam ser capazes de resolver essas crises?
A maior parte é resolvida. Eu e os meus colegas não vemos os casais todos de Portugal.

Que tipo de casais escolhe ir ao terapeuta?
Os que já não conseguem dialogar, porque a tensão começa a subir imenso e porque, provavelmente, culturalmente aceitam que haja uma pessoa que intervenha. Ou então, alguém lhes indicou esta solução, um amigo do casal ou alguém conhecido que já fez terapia de casal. A maior parte dos casais que me chega é através de casais que já fizeram terapia de casal comigo.

Que pode um terapeuta fazer para ajudar os casais em crise?
Quando as pessoas deixaram de gostar uma da outra, ou quando um deixou de gostar, não pode fazer nada.

Porque é que se insiste, se já se deixou de gostar?
Há casos em que uma das pessoas deixou de gostar e a outra insiste em ir à terapia de casal.

E o outro vai obrigado?
Não vai puxado pelos cabelos, vai pressionado.

São mais os homens ou as mulheres a irem pressionadas?
Hoje em dia são mais as mulheres. Os homens jogam mais à defesa.

Que quer isso dizer?
Elas chegam a uma altura que dizem basta, chega, ou isto muda ou então... E quando dizem isto, já estão tão zangadas, cansadas de tantos anos de zangas… Aquelas coisas clássicas: “Não me ligas nenhuma”, “não ligas aos filhos”, chegas sempre tarde a casa”, os estereótipos clássicos. E estão tão zangadas, que às vezes quando eles vão para apanhar o comboio, ele já partiu.

Isso tem a ver com o que já sabemos. As mulheres são cada vez mais independentes, etc.
Claro, essa conversa toda. O certo é que quando as mulheres arrancam e decidem, é tudo muito mais difícil... São muito mais determinadas, porque também são muito mais sensíveis ao que querem de um casamento.

São mais realistas, conscientes? Ou seja, quando chega a esse ponto, a possibilidade de inverter a situação é mínima?
É quase zero. As variáveis para as mulheres daquilo que é uma relação boa são muito mais sofisticadas do que as dos homens. Estou a falar em geral evidentemente.

Quais são as variáveis para as mulheres?
São a solidariedade, a amizade, no sentido do companheirismo, a ternura, a ajuda, o sexo obviamente que sim, mas o sexo metido neste pacote. E a capacidade de ouvir, de estar disponível, esse tipo de coisas. Para os homens, em primeiro lugar está o sexo. Talvez esteja a fazer uma caricatura, mas para um homem se há sexo num casamento há tudo, está tudo bem.

Mas se deixa de haver, tudo está mal.
É um exagero, mas se elas responderem sexualmente, para eles está tudo bem, podem chegar a casa, ligar a Sport TV, ler “A Bola”, instalarem-se, não fazerem nada, não falarem com elas ou estarem a falar com elas ao mesmo tempo que lêem “A Bola” ou o i. E elas depois também contam as coisas em discurso directo. E depois é óbvio, "se ela disse”, “se ele disse”, “se ela disse...", já não há pachorra... Estou a fazer uma brincadeira. Mas, portanto, a variável sexo para os homens é mais importante. Obviamente que os homens não são todos assim, que a nova geração já percebeu que não pode ser assim. E se acontece uma briga no casamento, eu agora vou passar a chegar cedo a casa, vou ouvir tudo o que tens para dizer, vou-te fazer imensas festinhas, mando-te sms durante o dia...

As pessoas conseguem mudar?
Consegue-se que as coisas mudem. Quando digo cultivar é fazer algumas coisas que são muito importantes para o dia-a-dia das pessoas. O casamento tem fases de grande seca.

E mesmo assim as pessoas insistem e casam-se, até mais do que uma vez?
É uma coisa inata. Acho que casam porque o casamento faz parte do projecto de vida. Ter felicidade pessoal passa muito por aquilo a que se chama o amor ou a relação amorosa. Por várias razões partilhar uma casa é mais barato, por outro lado, sentem-se mais seguros por estarem a viver juntos…

Conforme disse, o casamento é uma grande seca?
Não é o casamento que é uma seca, são fases.

Que fases?
As de rotina, de monotonia, de estar disponível para os filhos, eventualmente complicados, pequenos, adolescentes… Com o dia-a-dia do trabalho, as pessoas andam cada vez mais chupadas no trabalho, vivemos num país que está exausto. As pessoas sentem-se maltratadas, estão fartas e depois em casa, se não têm uns fins-de-semana para relaxar, as coisas tornam-se uma seca.

E existe uma tendência para partilhar tudo e mais alguma coisa. O excesso de intimidade não pode ser prejudicial?
Costuma dizer-se que só se conhece alguém verdadeiramente quando se partilha a casa de banho. Costumo dizer que o cúmulo da intimidade é partilhar os puns. É verdade.

E os arrotos e afins. Não é partilha a mais?
Os puns, durante a noite, são involuntários. Os arrotos já são voluntários. Isto é uma brincadeira, como é evidente. Cada um faz o que quer. Se for erótico para as pessoas partilhar arrotos que partilhem, não tenho nada contra, eu não acho, como também não acho os puns. Devemos partilhar o que quisermos. Há casais para quem a conjugalidade é partilhar tudo, e então partilham desde a casa de banho até ao dinheiro. Ainda há um estereótipo na partilha de dinheiro, mas está a mudar. Há casais em que cada um dá um x para a casa e depois cada um tem o seu dinheiro e faz dele aquilo que entende, dividindo as despesas.

Por que razão há mais casais a fazer isso?
Porque a individualidade no casamento é cada vez mais forte. As mulheres, por exemplo, saem muito mais sozinhas, porque os homens também o fazem, é perfeitamente natural.

Como se tratasse de quotas?
Não, não quer dizer que tenham de sair, mas têm essa liberdade. Há outros que até ao supermercado vão juntos, é um crime de lesa-majestade se um não for, têm de fazer tudo em conjunto. As regras dos casais variam muito. A intimidade não é forçosamente as pessoas saberem tudo um do outro, não é como os casais ciumentos em que o outro anda a vasculhar os emails e os sms.

Uma prática mais comum do que se poderia pensar?
Sim, como é evidente.

Mas apenas quando existe ciúme?
Quando há ciúme ou quando existe uma crise. Toda a gente com uma crise de infidelidade vai ver os emails e os sms, toda a gente, mesmo aqueles que achavam que nunca o fariam. Até o extracto da Via Verde. E também há quem ponha GPS no carro da mulher ou do marido para ver onde é que ele anda, já vi de tudo. Hoje em dia, com a electrónica as pessoas são apanhadas em poucos meses.

Quando os casais chegam ao seu consultório, que lhe pedem?
Para simplificar, diria que há dois tipos de casais. Os que tiveram uma crise aguda - infidelidade, violência episódica, ou uma zanga muito grande com a família do outro. Esses pedem: “Estamos a passar por isto, mas não nos queremos separar porque sentimos que gostamos um do outro, mas isto está aqui bloqueado, ajude-nos a desbloquear isto.” E aí geralmente a pessoa que foi a culpada da situação está a ser massacrada pela outra. Às vezes já não é o problema que aconteceu, mas o massacre que estraga aquilo tudo. Um segundo tipo de casais traz queixas de há muitos anos. São os mais difíceis, que não conseguem separar-se apesar de terem conflitos há muitos anos e de não pararem de discutir.

E esses também pedem para ficar juntos?
E continuam a dizer que gostam muito um do outro, porque no meio disto têm ilhas em que estão bem, é cíclico. Estes são os mais complicados de se trabalhar. Hoje em dia sabe-se que há três ou quatro coisas - estão estudadas e investigadas -, e que são muito críticas para os casais. A primeira coisa é a crítica um ao outro, é o hipercriticismo mútuo ou só de um lado: “Tu és isto, tu és aquilo, tu és sempre isto, tu fizeste isto, olha, importas-te de pôr este cinzeiro ali que eu gosto mais…”

Despejar outras coisas, à custa de um cinzeiro.
Despejar e porque a relação já está muito tensa e saem coisas. Uma vez ditas, já pouco há a fazer. E há pessoas que são realmente muito críticas. No fundo, tentam que ela seja igual a si própria, ou seja, não aceitam a individualidade do outro. Aliás, é costume nos primeiros anos de relação, as pessoas tentarem mudar a outra. Eu acho que ninguém muda ninguém, percebe? Gosta ou não gosta. Às vezes costumo brincar e dizer: ou gosta do pacote, e o pacote é um pacote, portanto, tem lá de tudo, ou não gosta e aí, se quiser, muda.

Como pode um terapeuta ajudar?
Vejo de fora, tenho uma visão mais neutra da relação. Por outro lado ajudo-os a resolverem aquilo a que costumo chamar de pecados originais.

O que são?
São as coisas que vêm desde o princípio da relação e que não são resolúveis. O que não tem solução, solucionado está. Você é do Benfica, eu sou do Sporting, a gente passa a vida a discutir por causa disso, discutimos e vivemos juntos, gostamos um do outro, mas vivemos a discutir há dez anos. Quero dizer, não vale a pena. Obviamente é uma caricatura.
O futebol não será motivo para tanto.
Não, porque as mulheres não ligam tanto ao futebol. Mas apanho por dinheiro.

O dinheiro é o típico motivo de discussão em momentos de crise, e mais ainda durante a separação.
Aí então agudiza-se. Mas há casais cujos únicos problemas que têm são sobre dinheiro. Tive lá um que era do princípio ao fim só dinheiro. Porque ela compra trapos, não tem noção do dinheiro. Coisas assim. E ela dizia: “Porque ele bebe copos e só gasta dinheiro em álcool.” Não tenho pachorra para esse tipo de coisas. Mas tenho de trabalhar, claro.

Mas estava a falar sobre?
Sobre a necessidade de primeiro resolver os pecados originais.
Dizer às pessoas que há coisas que não controlam. E assim cada um diz ao outro aquilo que sabe que não consegue mudar. É tão importante trabalhar aquilo que se pode mudar num adulto – ao fim de alguns anos de relação é muito pouco. Os casais têm, volta e meia, conversas. Olha, eu não gosto disto, gostava que fosse assim ou assado. Agora, é tão importante isto como eu dizer-lhe: “Olha, isto eu não mudo.” Uma vez, tive um casal que era o casal da caça, nunca mais me esqueço. O casal funcionava muito bem, eram os dois muito empáticos, pessoas com piada, com interesse. Havia um pormenor. Quando abria a época da caça aquilo era um problema. Ele era um caçador inveterado e mesmo assim fazia cedências…


Também se ri dos seus casais?
Faço imenso humor com eles. Ao princípio não, mas depois, quando tenho mais confiança, rio-me imenso com eles e eles também se riem. É uma forma de terapia.
E portanto, quando entrava a época da caça, aquilo era uma seca. No início ela ainda ia à caça com ele, achava graça ao campo, mas depois fartou-se da caça, os caçadores são um bocado viciados. Ele lá fazia umas cedências mas quando abria a época era um problema. Nunca mais me esqueci do casal da caça, porque era o único problema que eles tinham, a intolerância face a essa individualidade.


Coisas que não é possível mudar.
Trabalhei com eles e eles perceberam que aquilo se tinha tornado quase ridículo, um objecto de obsessão. Há coisas nos casais que, mal se abre a boca, já deu em conflito. Algumas são coisas de porcaria, que não valem nada. Mas dá logo conflito porque têm uma história qualquer. Quando as pessoas estão numa sessão de terapia de casal, não podem falar como se estivessem em casa. Começa logo por aí. Depois, está ali uma pessoa que não as deixa falar uma por cima da outra.

Quem fala mais? As mulheres?
Geralmente sim, mas tento que seja equilibrado. Por isso a comunicação é logo diferente, a pessoa é obrigada a ouvir o outro até ao fim, até achar que faz sentido. E depois não estou ali muitas horas a ouvir contar uma história, porque a história é sempre igual, tem é muitos episódios, é um folhetim. Ou seja, o problema é sempre igual, depois tem é várias versões.

E como gere o desconforto dos casais?
É fácil pô-los à vontade, eu começo logo a brincar. Não faço daquilo nenhum drama. E tento que cada um perceba quais são as insatisfações do outro na relação.

E eles são sinceros?
Tenho uma entrevista individual, sempre. Primeiro falo com os dois, tento perceber o que se passa, arrumar tudo na minha cabeça. As coisas têm de estar em três partes: a relação entre eles os dois, se têm filhos, ou seja, a relação parental; e a relação com as famílias de origem. Isto para simplificar a minha vida e arrumar logo com uma ou duas coisas. Se só há problemas no casal, só falo no casal, esqueço os filhos, vou eliminando problemas. Porque há casais, por exemplo, que vão lá só porque se chatearam com os sogros. Em Portugal, somos…

A família vai toda atrás?
É, e depois são os almoços de domingo, se um não vai dá chatice, cortes de relações, depois não deixam que os filhos vejam os avós. Enfim, coisas desse tipo. Gosto mais de trabalhar a relação do casal.

E qual é o objectivo dessa segunda sessão individual?
Explico-lhes que têm aqui um espaço em que podemos falar de tudo e que o que disserem fica em segredo. E é a única vez em que isso acontece. Excepcionalmente pode voltar a acontecer, se for preciso falar com um deles, para dizer coisas que não posso dizer à frente do outro, por exemplo, para lhe dar muito na cabeça. E faço isso às vezes com os homens.

Da sua experiência, parece encontrar mais responsabilidade nos homens…
Não é mais responsabilidade, é mais falta de jeito. Para isto têm menos jeito.

Mas se sente necessidade de lhes dar na cabeça é porque encontrou ali alguma…
Não, não é irresponsabilidade. É uma forma de lhe dizer: “Oiça, você assim não vai lá. Você ainda gosta desta mulher? Então se gosta, veja lá se mostra que gosta.”

Os homens continuam a ter mais dificuldades em revelar sentimentos?
Não, muitas vezes é uma questão cultural. Se me exponho muito fico frágil, a ideia que os homens têm de manter as mulheres um bocado na dúvida ainda existe. Faço cursos de terapia familiar no Alentejo. E ainda há casais em que eles se comportam como se fossem os alentejanos de há duas gerações. Não estou a falar de pessoas indiferenciadas, estou a falar de pessoas muito diferenciadas. Acabam de trabalhar, vão para os petiscos, chegam a casa às nove e meia da noite, já elas fizeram tudo, o jantar, o banho e deitaram os meninos, já fizeram, já aconteceram e eles fazem zero. E ao fim-de-semana ou vão à caça, ou a Espanha para os copos com os amigos, aquilo são copos e mais umas coisas. Uma caricatura de uma situação que está a evoluir e que está a mudar. Mas, quando é preciso dar na cabeça, não é só aos homens.

E a elas, que lhes diz quando lhes dá na cabeça?
É para lhes dizer: “Oiça lá, não ande a perseguir o homem, não o melgue tanto que ele não aguenta.”

Porque são as mulheres mais melgas?
Não sei, sempre foi assim.

São mais carentes?
Não, têm é mais necessidade de expressão, de um sorriso, uma cumplicidade, de um sms durante o dia, de um email, de um telefonema, de um convite inesperado para almoçar. E eles são um bocado tumbas para estas coisas. Não se lembram sequer. Estou a falar de estereótipos, mais uma vez. Ninguém aqui faz nada por mal e depois isto ao fim de um tempo dá nas mulheres a dizerem assim: “Ele era um excelente namorado e agora é um péssimo marido.” Às vezes também oiço: “Quando se apanham em casa, julgam que isto é para o resto da vida e que não é preciso fazer nada.”

Ainda há muito isso de dar a coisa por garantida?
Ainda há.

Dos dois lados?
Dos dois lados, mas na forma de expressão, mais deles. Eles também engordam. Só que eles não são penalizados por engordarem, porque são homens e elas é logo “sua gorda, sua não sei quê”.

Dizem mesmo assim?
Alguns dizem. É a questão do estereótipo dos corpos femininos… A mulher aceita um homem gordo, mas já não aceita tanto como isso, que eu tenho lá algumas que já lhes dizem: “Ouve lá, com esse teu corpo já não tenho atracção por ti.”

Com toda a franqueza.
Já ouvi dizer várias vezes. Há uns ano não ouvia tanto estes comentários.

Não acha mal a forma de dizer. Aqui há muito a tal crítica que, segundo diz, deve ser evitada.
Não acho bem, nem acho mal. Acho que se pode eventualmente dizer isto como também “olha lá, vai lá lavar os dentes que cheiras mal da boca”. Está bem, não é assim desta maneira, mas se tiver intimidade com a pessoa, porque não lhe há-de dizer? Eu gostaria que a minha mulher, se achar que cheiro a sovaco - por acaso não suo muito - me diga. Já me aconteceu dizer-me: “Olha, estás com o hálito não sei quê e toma lá uma pastilha. Eu fumo cigarrilhas.” Se é bem dito…

Mas aquela do “com esse corpo não tenho atracção por ti” é dura.
Dito assim, o homem fica arrasado… Mas também não é preciso ser assim. Se um homem diz a uma mulher: “Vê lá se emagreces um bocadinho”, elas também podem dizer a mesma coisa. Recentemente ouvi duas mulheres a dizerem isso aos respectivos maridos.

Mas ainda são eles que dão mais importância ao corpo?
São. A atracção sexual nos homens passa muito pelo corpo. Acho que a atracção masculina passa mais pelos aspectos físicos. A atracção feminina é uma coisa muito mais complexa, apesar de também passar pelos aspectos físicos.

Ou seja, a atracção nas mulheres acaba por se revelar na forma como…
Como a outra pessoa é, como se exprime, como pensa, nos interesses comuns, na ternura que a outra pessoa é capaz de exprimir. A barriguinha é muito menos importante, porque não há medidas para os homens. Já a atracção masculina é muito mais física, o que é depois muito mais complicado em termos de manutenção num casamento. A atracção física é uma coisa que, ao longo de um casamento de muitos anos, vai esmorecendo, porque obviamente o corpo vai mudando, as mulheres têm filhos e ficam diferentes, vão envelhecendo. Por isso é que eles, às vezes, as trocam por uma de vinte e poucos. Vê-se muito pouco o contrário.

E será só por causa dos corpos, ou as mulheres não terão paciência para homens mais novos?
Provavelmente também não têm muita paciência. Também pergunto muitas vezes o que faz um homem da minha idade, e conheço alguns, com uma miúda de 26 ou 27 anos. Além de ir para a cama com ela, depois como é, o que é que faz? Tenho um amigo que está numa situação dessas neste momento.

E esses seus amigos acabaram com casamentos longos?
Um já acabou com dois. Já há muita gente com dois casamentos ou com dois acasalamentos e haverá cada vez mais gente com três. Agora vamos a caminho dos dois, temos 50% hipóteses de divórcio. Na maior parte das vezes, quando se divorciam, acasalam outra vez, os homens então…

É logo?
É mais rápido. Alguns é no próprio dia.

Porquê?
Por muitas razões, não sabem estar sozinhos.

Porquê?
Porque são tontos, foram mal educados, não sabem lavar meias… Não, estou a brincar. Porque têm dificuldade em ficar sozinhos.

Não sabem lidar com a solidão?
Não sabem lidar com a solidão, lidar com o dia-a-dia da rotina de uma casa, não têm paciência. E depois, além disso, culturalmente, quando os homens se separam ficam com os filhos menos tempo, ficam mais disponíveis. Mas isso também está a mudar muito.

Por vontade dos homens? Eles estão a aguentar essa mudança?
Estão, estão. Há coisas giras que estão a aparecer, como grupos de homens sozinhos com filhos, que ao fim-de-semana se ajudam, já há associações por aí a correr e tal. E também há cada vez mais homens que exigem meio tempo dos filhos. As mulheres estão a resistir a isso, mas é uma mudança que está em curso.

As mulheres resistem mais tempo sozinhas.
São mais autónomas e por outro lado têm os filhos.

Mas não é porque o desejem?
Não, é porque aguentam. Depois também arranjam novas relações, mas há outro factor importante nisto. Como têm filhos com elas, têm menos disponibilidade e hesitam mais em introduzir uma figura nova na família, um padrasto. Portanto, hesitam mais.

Mais bom senso?
Mais bom senso, como é evidente.

Os homens não têm esse cuidado?
São mais impulsivos e depois têm mais facilidade na caça, em caçar.

Pensei que as mulheres também caçavam…
Não, as mulheres deixam-se caçar. Um homem só caça quando a mulher quer. As mulheres têm mais dificuldade em caçar por caçar, ainda que num pós-divórcio aconteçam fases dessas, um pouco por descompressão e para resolver alguns problemas de solidão. Mas não é um comportamento tradicionalmente feminino. Os homens têm mais facilidade em caçar e portanto é muito frequente, depois de uma separação ou de um divórcio, haver nos homens uma espécie de voltar à adolescência, aos copos até às três da manhã, arranjam uma namorada aqui, outra acolá e um dia, pronto, arranjam uma que tem casa, metem-se na casa e depoi, aquilo dura ou não dura.

E recomeça tudo outra vez?
Às vezes sim, outras vezes não. Há segundos casamentos com grande sucesso, outros que duram apenas um ano ou dois. A questão dos filhos do outro é sempre uma questão complexa. Sobretudo se são filhos já adolescentes, às vezes aquilo dá para o torto e complica-se.

Mas os filhos fazem parte do pacote. No início esquece-se isso?
Estão tão entusiasmados que querem avançar. Costumo dizer, quando vêm falar comigo sobre a ideia de irem viver juntos, não tenham pressa porque isto até agora foi a lua-de-mel, depois começam a vir os brindes – os filhos – e isto pode tornar-se um infernozinho. E portanto calma, não tenham pressa nenhuma, divirtam-se que depois têm tempo. Depois, também há segundos casamentos com grande sucesso, porque os primeiros foram perfeitos erros de casting. Eram muito jovens, imaturos, só depois percebem que a outra pessoa não tem nada a ver com eles, os interesses vão divergindo e essa parte intelectual é muito importante, como dizia há pouco. Evidentemente que não posso viver com uma pessoa que acho que é atrasada mental e com quem não possa discutir algumas coisas. Não há nenhum casamento que viva só da mesa e da cama, acho eu. Antigamente sim, até só da mesa, porque depois a cama era fora.

Mas afinal para os homens não está tudo bem se houver sexo?
Acho que hoje em dia, cada vez menos. Haverá alguns, também mulheres que aceitam isso. Mas a partilha é melhor do que era, está a aumentar cada vez mais.

Mesmo no segundo casamento?
Sim, as pessoas já têm 30 e tal, 40 anos no segundo casamento, têm outra maturidade, mas estes casamentos também são mais complexos, existem filhos…
E leva-se o passado, muitas vezes cheio de pessimismo e desilusão?
Pois, leva, leva. O pessimismo, que é pensar assim: “Não vale a pena, porque é que me meti noutra, é tudo igual.” Isto nas fases pessimistas. Nas fases optimistas não é bem assim. Mas os relacionamentos são completamente diferentes dos primeiros em termos de famílias, em termos de relação…


São mais difíceis.
Em termos familiares são mais complexos. Têm mais variáveis, porque também têm os ex.

Que nunca desaparecem se há filhosQuando não há filhos desaparecem, ou enfim podem desaparecer. Mas quando há nunca desaparecem.

E ainda bem.
Ainda bem para os filhos, mas às vezes há alguns que pressionam através dos filhos, baldam-se no fim-de-semana deles de filhos e isso estraga o fim-de-semana ao casal, fazem algumas jogadas.

Fazem de propósito?
Exactamente. Se não estão bem tentam estragar o que o outro já tem. Estes segundos casamentos são mais complexos mas as pessoas também têm mais experiência de vida.

Têm mais paciência?
Para umas coisas sim, para outras não. Nos segundos casamentos, com filhos de um e filhos do outro, se não são mais tolerantes não se aguentam. Enquanto no primeiro casamento há um tempo essencial de adaptação em que não há mais ninguém a não ser as duas pessoas, no segundo entra-se imediatamente na confusão. Normalmente os problemas surgem nos primeiros anos, se aguentam essa fase, tornam-se casais de grande sucesso.

E agora estamos então numa época em que se arrisca um terceiro casamento. Isso não é masoquismo?
Não. Agora morre-se mais tarde e a pessoa pensa “pode ser que corra melhor, pode ser que dê agora…”.

É uma procura incessante da felicidade?
É, é! Para a maior parte das pessoas, a felicidade pessoal passa sobretudo por relações amorosas. Neste momento do país, as pessoas têm cada vez mais tendência a isolar-se numa espécie de cubata com as pessoas de quem gostam para ver se conseguem ser felizes no meio de um país que está de gatas.

Que é mais difícil de resolver: um problema sexual ou de relacionamento?
Não trabalho problemas sexuais puros. Os problemas sexuais são secundários nos casais. Os casais que se dão mal normalmente não funcionam bem na cama.

Não podem começar a dar-se mal porque funcionam mal na cama?
Não em termos de funcionamento propriamente dito. Ou seja, os dois conseguem ter orgasmos e prazer, mas o problema é que não conseguem comunicar sobre como gostam de estar um com um outro na cama. Nunca mais me esqueci de um doente meu que dizia: “A minha mulher só faz sexo à frango.” Enfim há dificuldades de comunicação porque há pudor.

O sexo não é um assunto de terapia de casal?
Pode acontecer que seja mas não é primordial. Se consigo que o casal se consiga entender melhor, o sexo vai por si, aparece. O sexo é atingido quando as pessoas estão em conflito, em tensão. Os homens têm mais facilidade em ter sexo durante períodos de tensão, porque funcionam um bocadinho como a barragem do Alqueva, quando enche tem de esvaziar. As mulheres não são bem assim. Na brincadeira costuma-se dizer que para as mulheres o sexo começa de manhã com um beijinho e acaba à noite na cama. Como estava a dizer, com os casais, a primeira coisa que faço é tentar baixar a tensão, começando a trabalhar as coisas mais simples do dia-a-dia. Chegam a casa e não são simpáticos um para o outro, não se cumprimentam, estão sempre à defesa, o tom de voz um com o outro é interpretado de uma forma, quando não quer dizer nada, tentar distinguir entre chegar a casa chateado porque o trabalho é uma chatice. Quando se vive com alguém, o tom de voz e o “olá” estão carregados de significados. Para os casais, não é tanto aquilo que se diz, mas como se diz.

Consegue medir a taxa e sucesso da sua intervenção?
Tenho uma estatística pessoal. As duas primeiras entrevistas são de indicação ou não indicação. Significa que há casais que não aceito para a terapia de casal. Se há um que deixou de gostar do outro ou se há uma relação fora do casamento, em curso e importante, se há violência continuada, se há problemas com álcool e drogas ou se houver psicopatologia pesada. Diria que um terço dos casais que recebo não tem indicação para iniciar terapia de casal. Dos que ficam, à volta de um terço são falhanços. Ou abandonam a terapia ou não se consegue fazer nada. À volta de dois terços melhoram. Não faço terapias de casal muito longas.

Quando tempo mais ou menos?
Em média, cinco, seis, sete sessões. Ou vai ou não vai. Tenho casais crónicos, mas são poucos. São quase amigos. Tenho um que vai lá de três em três meses há 15 ou 20 anos, para conversar. Já se fala de tudo e mais alguma coisa. Tenho dois ou três assim que vão lá de vez em quando. Tenho outros que depois voltam ao fim de alguns anos.

Um médico não se deve envolver emocionalmente nos casos que acompanha. Na terapia de casal como consegue?
Só tenho dificuldade em duas ou três coisas. Mortes de filhos, por exemplo. Já tive um caso em que estive quase chorar. Não há tratamento para a morte de um filho. Também tenho dificuldades em casais que são muito agressivos e muito violentos verbalmente. Já ia apanhando duas vezes na vida.

Dela ou dele?
De dois homens paranóides com ciúme.

Pensei que as mulheres eram mais ciumentas…
Provavelmente são estereotipadamente mais ciumentas, mas eles são mais violentos. Das duas vezes levantaram-se para me bater.

Porquê?
Porque acharam que havia ali uma cumplicidade, que estaria a favorecê-las e a acreditar na versão delas. Mas consegui escapar. Os doentes paranóides são doentes perigosos porque podem matar. Têm delírios paranóicos e os de ciúme são terríveis.

Nunca lhe aconteceu envolver-se com uma das suas doentes, ao ponto de se apaixonar?
Não, nunca me aconteceu apaixonar-me por uma doente. Já me aconteceu simpatizar muito com doentes, já me aconteceu ter atracção por doentes, mas apaixonar-me por doentes… Nunca me aconteceu estar no limite de não conseguir controlar…

Nunca lhe aconteceu ter de desistir de as acompanhar?
Já me aconteceu duas ou três vezes ter de dizer que não posso continuar porque elas explicitaram que estavam apaixonadas. Tratava-se de sessões de terapia individual. Nos casais esse cenário está muito mais distante. A relação tem de ser estritamente profissional, não pode haver relações ou contactos fora do gabinete, há um tempo que é o tempo da sessão. Sou completamente obsessivo com as horas, começa e acaba. Não há almoços, jantares, não há amizades. Essa coisa dos psis que vão jantar e almoçar com as pessoas que estão a seguir acho que é um erro. Não sigo casais amigos. Os casos mais complicados aconteceram quando era mais jovem e tinha menos experiência. Uma das situações foi muito impressionante, marcou-me muito.

Porquê?
Foi uma situação absolutamente dramática. Uma mulher que tinha tido uma relação violentíssima com o marido, vivia fora de Portugal. Tinha um filho pequeno, com sete ou oito anos. Ela conseguiu separar-se do homem, pirou-se com o miúdo de casa e depois o miúdo morreu num acidente. Apanhei-a num luto melancólico, quase não falava nas sessões. Ao fim de algum tempo, ela disse-me: “Eu hoje venho cá para ir para a cama consigo.” E eu não me senti mal com aquilo, disse-lhe que era um sinal de vida e que podíamos conversar sobre isso mas que não estávamos aqui para isso. Ela disse-me que a única coisa que a prendia à vida era a relação comigo.

Há casos de dependência em relação ao psiquiatra.
Há, mas acho que isso tem muito a ver com os terapeutas. Não crio relações de dependência, eu próprio não tenho muita paciência para relações psicoterapêuticas prolongadas. Acho que a psicoterapia é um exercício de imaginação e criatividade com as pessoas. Aquilo não é ilimitado, às tantas gasta-se. Sou muito activo, intervenho e falo muito, interajo muito com as pessoas. Não uso muito aquele estilo de ficar encostado para trás e as pessoas falam sozinhas. É mais rápido, não tenho psicoterapias de anos. Mas em relação àquele caso, antes do Verão eu disse-lhe que ia de férias e ela disse-me: “Olhe que isto não passou.” Ela foi completamente sincera comigo. Disse: “Venho cá, mas acho que só venho cá para o ver. O doutor vai de férias e, se isto se mantiver, agradecia que me indicasse outra pessoa.” Foi completamente correcta. Eu disse-lhe: “Está bem.” Voltei, ela disse: “Nunca mais deixei de pensar em si.” Indiquei-lhe duas pessoas e nunca mais soube dela.

Nunca mais soube dela?
Foi tudo tão humano ao mesmo tempo. Obviamente era uma paixão completamente fictícia. Ela não me conhecia. Era um agarrar-se a vida, ela estava a beira do suicídio. O que lhe aconteceu depois não sei. Não mandei para uma pessoa, mas para duas, de propósito, para ela escolher e eu não ficar a saber da sua escolha. Outra vez, também há muitos anos, houve outra pessoa que avançou para mim e aí senti o que é ser violado, o que uma mulher deve sentir quando é violada. Não tive tempo para reagir, senti vontade de bater.

E hoje isso já não lhe acontece?
Tenho mais experiência, e estou mais atento. Há alturas em que pressinto que isso pode estar a acontecer… Tenho mais cuidado naquilo a que chamamos a contra-atitude, a forma como estou com as pessoas.

Sente frustração quando não consegue fazer nada por um casal?
Claro que sim. Primeiro, tenho de separar aquilo que acho que é um casal daquilo que eles são como casal. Tenho uma ideia do que é um casal que não tenho nada que aplicar aos outros.

Deve ser difícil não tentar que sigam a sua receita, se esta funcionar.
Não, eu nunca faça assim ou assado. Porque há casais, por exemplo, que podem perfeitamente viver sem sexo. Isso, por exemplo, não configura a minha imagem de casal.

Mas um casal viver perfeitamente sem sexo é normal?
Aqui não há normalidades nem anormalidades, não há essa coisa. O que eles querem é que os ajude a equilibrar enquanto casal e que eles fiquem bem um com o outro, porque não se querem separar. E portanto, a primeira coisa que tenho de separar é a minha perspectiva daquilo que acho que eles são enquanto casal. Obviamente que há casais pelos quais luto mais, porque é uma pena separarem-se, porque há mal-entendidos. Mas se calhar sou eu que acho, não lhes posso dizer isto. Há outros em que, na primeira vez que os vejo, digo assim: “Como é que estes estão juntos?” Mas às vezes sou surpreendido.

Como consegue gerir a sua frustração?
Às vezes digo que estou farto de casais e não faço mais terapia de casal. São desabafos. É muito pesado às vezes. Uma sessão de terapia de casal pesa dez vezes mais do que uma sessão individual, não tem comparação nenhuma. Tenho de estar muito mais atento, mais interventivo, apanho com muito mais pancada. E a comunicação é mais complicada, o padrão de comunicação é diferente. Você tem que estar ali como se estivesse com um cavalo, a puxar-lhe o freio. Depois tem outro problema porque são duas pessoas para marcar sessões.

O que não devem o homem e a mulher fazer para manter um casamento saudável?
Não se deve criticar o outro. Criticar o outro o menos possível.

Como assim?Criticar é uma coisa, dizer o que se acha é outra. Não se deve passar a vida a criticar a outra pessoa ou a família da outra pessoa, do género “a tua mãe isto, a tua mãe aquilo” ou “se eu fosse pai deles, eu fazia assim”. Não se vai mudar nada, é tempo perdido.

Nesse sentido, como deve fazer alguém que herda os filhos do outro?
É um pau de dois bicos. Por um lado, pede-lhe ajuda para ajudar com os filhos, mas depois quando a pessoa entra, levanta-lhe o tapete. Esta é a regra.

Só confere ao pai ou à mãe a autoridade para criticar os filhos?Exactamente. E na dúvida, quando é preciso escolher, escolhe os filhos em detrimento do novo marido ou da nova mulher. Normalmente esses casais separam-se por causa disso. Não é por deixarem de gostar um do outro, é porque a situação é tão infernal com os enteados que às tantas não é possível viver. Na dúvida, a escolha é a favor dos filhos, como é óbvio.

Além de não criticar, que outras coisas não devem ser feitas?
Bem, não criticar é impossível, mas deve-se criticar o menos possível. A amizade que existe num casamento é diferente, mas a pessoa deve sentir que o outro a apoia mesmo que eventualmente não esteja de acordo com ela. Por exemplo, a pior coisa que você me pode fazer, enquanto minha mulher, é eu estar-lhe a contar uma situação qualquer de conflito com outra, pessoal, achar que a culpa até é minha e dizer-me isso logo a quente.

E onde fica a franqueza?
Até pode dizer isso mas não na altura, a quente. A forma como se diz as coisas, a quente ou a frio, é diferente. Costumo dizer aos casais que, quando querem dizer coisas desagradáveis o façam quando estão bem um com o outro. E que não discutam as coisas na altura em que as coisas estão a acontecer porque o tom é completamente diferente. Depois passado um dia ou dois, as coisas podem ser ditas e correr tudo bem. Agora, na altura em que eu estou desvairado e lixado com as pessoas com quem trabalho e chego a casa e a mulher me diz “Ah, mas tu também és agressivo e malcriado para as pessoas…” não ajuda, naquela altura só quero que me ouçam, mesmo que não me ajudem.

Hoje as pessoas não se ouvem muito, pois não?
Têm pouca pachorra. Há casais que não são capazes de se ouvir, às vezes é uma seca ouvir o outro, é melhor estar na internet ou a ver o telejornal.

A internet mudou a vida dos casais?
Começaram a aparecer casais com a questão do “passas muitas horas na internet” e de infidelidade na net.

Não me pareceu, ao longo da conversa, que a infidelidade fosse um grande problema na vida dos seus casais.
Continua a ter uma grande carga, quando é apanhada. Diria que um terço dos casais que me aparecem é por crises de infidelidade. Pontuais, na maioria. E há uns recorrentes, os profissionais. Ao fim de duas ou três vezes, o casamento acaba. Agora, raramente me aparece alguém que confessa.

Deve confessar-se?
Cada um sabe de si.

Uma coisa é ter tido um episódio…
A isso não ligo nenhuma.

Mas devem ser contados?
Cada pessoa deve pensar e decidir. Há muitas questões éticas pelo meio… Mas se a relação dura há algum tempo, o outro vai aperceber-se e entre ser apanhado ou dizer, é melhor dizer.

Os homens continuam a ser mais infiéis?
Acho que as mulheres são menos apanhadas, têm mais cuidado. É a minha ideia. Eu apanho mais homens apanhados. Mas depois vou fazer a entrevista individual e elas dizem: “Ah, tive um caso, mas foi uma coisa sem importância.” E eles nem cheiram. Eles guardam as mensagens e depois são apanhados. Elas são mais cuidadosas.

Como o ajudam na sua vida pessoal os casais que acompanha?
Não desajudam.

Mas aprende com eles?
Nunca pensei nisso. Acho que sim. Acho que já vi todo o tipo de casais, portanto acho que sim. Não falo muito da minha profissão com a minha mulher, mas às vezes rimo-nos. Quando certas coisas me tocam mais, conto. A vida ensinou-me, melhorei a forma de estar em casal com a vida e a profissão.

E vamos continuar a divorciar-nos?
Sim, a estatística mostra que estamos com 50% de divórcios.

E a voltar a casar?
O acasalamento é quase inato. A maioria das pessoas tem dificuldade de viver sozinha.

Isso é bom?
Não sei. Já vivi sozinho e não foi nenhum drama. Era perfeitamente capaz de viver sozinho, mas a solidão é uma coisa diferente. Má e horrível. Felizmente há a internet, as pessoas vão aos chats. Tenho doentes que estão sozinhos – mais mulheres do que homens - para os quais a net é um recurso, que usado de forma inteligente, é bom.

Se pudesse dar um conselho aos casais para serem mais felizes, que lhes dizia?
Riam-se muito. É fundamental. Há pessoas que não têm humor, mas isto já é uma seca tão grande – a vida, o trabalho, o país, os políticos, a crise, já não há pachorra para o Sócrates…

Os casais devem ter TV no quarto?
Para adormecer, é bom. Eu não tenho…
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Qui Maio 27, 2010 10:12 am

É melhor evitar a todo o custo uma separação só para se manter a imagem de uma família unida?
Há pais que prolongam demasiado situações irreversíveis para as suas vidas, atingindo, por vezes, o limiar do insuportável, só para manter uma ideia de família nuclear, não importa a que preço. Nunca é bom prosseguir situações que não são verdadeiras e que fragilizam emocionalmente.

Mesmo quando se julga estar a actuar no superior interesse das crianças?
É sempre negativo viver cenários de mentira e fachada. Isso pode deixar os mais novos desprotegidos perante a possibilidade de interiorização de modelos de relação patológicos, existindo o risco de se desenvolver a imagem de um pai ou uma mãe demasiado impulsivo ou agressivo ou, pelo oposto, excessivamente frágil e indefeso. Se os pais não estão bem na relação mútua, também não estão suficientemente fortes e disponíveis para os filhos. É útil lembrar que os filhos não são almofadas psíquicas que sirvam para amparar episódios repetidos de mal-estar, agressividade ou conflito entre os pais. As crianças não devem ser pretextos para desculpas ou inexistência de decisões que competem aos adultos tomar. Em casos de vivências diárias muito complexas ou negativas para o equilíbrio dos mais novos, uma separação pode ser, potencialmente, um alívio ou solução do problema.

Qual a melhor altura para comunicar a separação?
Não existe o momento ideal. A questão do tempo é algo que deve dizer respeito à vida dos adultos e à sua capacidade para sentirem que são capazes de o fazer.

Há alturas em que as crianças e adolescentes podem ser poupados à revelação da situação?
Por exemplo, momentos que estão muito próximos de etapas ou vivências importantes para os filhos, como a proximidade da época de exames, a perda ou morte próxima de um familiar, a recente entrada para a escola.

Há alguma maneira especial de comunicar uma separação aos filhos?
A melhor maneira é ir directo ao assunto. As palavras devem ser simples, mas francas. De início, as explicações não precisam de ser muito elaboradas. Deve-se sempre assegurar que o amor dos pais pelos filhos não cessa ou termina por acabar a relação. É fundamental transmitir a ideia de que as crianças não têm que tomar parte do conflito. Para além de tudo isto é importante ouvir o que os filhos têm para dizer, responder às suas dúvidas e deixá-las expressar livremente os seus sentimentos.

Quem o deve fazer?
Devem ser sempre os pais a comunicar a separação. Se possível é importante que os dois possam estar presentes. Se, de início, a decisão for unilateral, deve ser o progenitor que assumiu a situação fazê-lo. No entanto, há pais que nunca assumem a quebra da relação, mesmo quando esta implica a sua saída de casa ou o início de novas relações. Nesses casos, cabe a quem fica mais perto comunicar a separação.

A separação provoca sempre sofrimento emocional nos filhos?
Qualquer separação implica a necessidade de um longo trabalho emocional de adaptação a uma nova realidade, com perdas, ausências, reajustes, que nem sempre são fáceis para quem os vive. Mesmo quando os filhos se apercebem de um clima anterior de zanga, conflito, frieza ou indiferença entre os pais, é vulgar existir uma expectativa de mudança, de regresso a um qualquer ponto anterior ou quase original do relacionamento dos pais. No entanto, quando a relação do casal é tão abertamente conflitual ou agressiva, quando um dos pais é reconhecido pelos filhos pela perturbação da qualidade de relação é que o sofrimento provocado por uma separação é minorado. Não só pela sensação de protecção e alívio como pela diminuição ou mesmo desaparecimento desse foco de mal-estar diário. Um sofrimento não resolvido pode ser a base de perturbações importantes e duradouras na infância e adolescência.

Há separações que deixam marcas para sempre?
A forma como uma separação pode deixar marcas duradouras nos filhos depende sempre da maneira como os adultos souberam preservar os mais novos do impacto negativo da situação.

Devem os filhos saber todas as razões da separação?
É útil e necessário existir uma distinção de gerações, de estatuto e de papéis entre os mais novos e os mais velhos. Pais e filhos podem e devem partilhar entre si múltiplas áreas das suas vidas, mas deve também manter-se sempre uma diferença entre partes que são específicas de cada um. Pais e filhos não devem ser companheiros, nem confidentes uns dos outros. Das razões que levam a uma separação haverá sempre algumas que se podem transmitir aos filhos, mas haverá outras que só ao casal importam.

A custódia partilhada é o modelo ideal?
Simboliza, acima de tudo, uma responsabilidade conjunta no exercício das responsabilidades parentais. Representa a possibilidade de, com em igual peso, ambos os pais poderem decidir sobre o que desejam para os filhos. Mas também exige uma boa capacidade de comunicação e diálogo entre os pais, mesmo quando há conflitualidade e distância.

Hoje em dia, existe a tendência para se ligar a ideia de custódia partilhada à divisão igualitária de tempos de contacto com o pai e com a mãe.
Não é verdade e muito menos representa sempre o modelo ideal. Para muitas crianças e adolescentes, repartir a casa do pai e da mãe implica uma certa maturidade emocional, uma boa segurança e autonomia em relação às figuras principais de vinculação e, muitas vezes, a capacidade de gestão autónoma de questões de organização diária, como roupa e material escolar, entre outras. Esse modelo não é aconselhável em crianças de muito baixa idade, sobretudo nos primeiros três a seis anos de vida, pois são muito dependentes e autolimitados nas suas tarefas de autonomia, nas referências espaciais e temporais, na linguagem e até na própria relação, mesmo quando ela passa pela comunicação verbal.

Depois da separação, é proveitoso continuarem a estar todos juntos em fins-de-semana, férias ou noutras ocasiões?
Se existe uma separação, então não é bom falsear a situação perante os filhos. Eles esperam dos pais uma posição de clareza e honestidade que lhes reforce a confiança e a segurança relacional e que, mesmo sendo difícil de assumir ou transmitir, é mais positiva do que a falsidade, a omissão ou a distorção. Há situações em que os pais podem e devem comparecer em conjunto, como nos aniversários, reuniões ou festas escolares ou outras que as crianças solicitarem.

(Pedro Strecht, na Revista Única do expresso de 22 de Maio de 2010 http://aeiou.expresso.pt/pedro-strecht-as-criancas-precisam-de-paz=f585108 )
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Sex Maio 28, 2010 10:36 am

mas como és gajo, não vais perceber
… quando os casamentos acabam … estão sempre danadinhos para começar outro

A VANESSA pediu-me para usar este espaço para que fosse publicada uma carta a um jovem divorciado que reencontrou há alguns dias. Segue, sem censura, o texto. É uma peça pirosa, evidentemente: "Querido N. Chegaste à melhor parte da tua vida, mas como és gajo, não vais perceber. E, pior, vais querer sair dela o mais rapidamente possível. Sim, as mulheres são umas chatas (olá se são, as minhas amigas lésbicas queixam-se imenso); sim, são umas chatarronas sempre a chafurdar na semiótica das relações, incluindo as meramente sexuais, mas vocês não vêem um boi à frente. Nunca percebem quando os casamentos acabam e, pior, estão sempre danadinhos para começar outro. Ora, isto vai prejudicar-te. Nas primeiras semanas, vais adorar não ter de cumprir ordens (esquece, num casamento cumpre-se sempre ordens, nem que seja as ordens naturais das coisas). Mas o risco de que rapidamente te canses e te metas a cumprir novas ordens é imenso. Não ligues à conversa de que as mulheres querem todas casar. É uma mistificação dos anos 70! Quem eu vejo a querer casar são os homens, que se perdem por pantufas - enquanto as mulheres perdem-se com mais frequência por um bom par de saltos altos (ou, no meu caso, botas altas para ir dançar à noite). Vá, aproveita o bom da coisa: a agenda livre e - melhor do que tudo - o magnífico inesperado de uma coisa chamada "encontros excepcionais", um conceito sociológico que não quer dizer exactamente aquilo em que estás a pensar. Curte bué."

( Ana Sá Lopes, in: http://www.ionline.pt/conteudo/62013-carta-um-jovem-divorciado )
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MensagemAssunto: Re: Divórcio: textos e crónicas   Sab Jun 12, 2010 10:04 am

“O amor já era, mas o frio na barriga continua. Mais forte que o desejo de esquecer é a sensação física que volta no fim: coração a mil, adrenalina, borboletas no estômago. Para superar isso, os médicos indicam: deve-se reforçar as emoções negativas ligadas à pessoa e mudar o foco. É, arrumar outro amor.

"Do ponto de vista cerebral, ficar só não ajuda a superar [o fim do caso]", diz o neurologista Antoine Bechara, da Universidade de Iowa (EUA). Parte da dificuldade, segundo Bechara, é que essa situação gera um conflito cerebral. Mesmo que o amor já tenha ido para o brejo e que as lembranças negativas estejam presentes, há uma impressão -nada a ver com as memórias guardadas no cérebro- que dispara aquelas reações corporais lá do alto.

Ele explica que no circuito neural há dois sistemas. Um deles passa pela amígdala, é responsável por respostas corporais involuntárias, como bolhinhas no estômago. O outro sistema passa pelo córtex pré-frontal, região que traz à tona as lembranças do ex, mesmo que a pessoa não faça mais parte da sua vida.

"Seu amor pode ter azedado, mas o cérebro continua a mandar os estímulos [que causam reações físicas] ainda que ele tenha as lembranças ruins do relacionamento. As impressões formadas no namoro ficam no cérebro."

As próprias reações físicas também podem ser interpretadas como uma forma de sentimento, o que realimenta o circuito. "A reação seria suficiente para configurar um sentimento? Não é necessário o objeto daquele sentimento estar presente?". As impressões residuais e essas reações físicas "sequestram" os pensamentos.

Não precisam da nossa intenção para aparecer, o que dificulta a mudança de foco. Mesmo quando não se está pensando na pessoa de propósito, o sentimento volta e toma o corpo de assalto.

Por isso também é que o tempo pode não dar conta do recado, ao menos do ponto de vista neurológico. "Não apaga. Esse sentimento é próximo ao dos vícios", diz.

Se o ex está por perto, então, é pior. Como para o alcoólatra, basta um deslize para que aconteça a recaída.

O neurologista André Palmini, da PUC-RS, lembra que essas reações são similares às do começo do amor. "É sinal de que há uma ameaça." As borboletas no estômago fazem uma curva durante o namoro, diz Palmini: surgem no início, declinam no meio e voltam no final.

A capacidade de entrar em sintonia com os desejos do parceiro é a marca do amor duradouro. No cérebro de quem está apaixonado, ocorre a ativação do sistema de recompensa. Esse sistema é mais "primitivo": leva o ser humano a buscar comida, proteção e sexo. Quando o sentimento evolui, regiões mais refinadas são acionadas. São áreas menos relacionadas a emoções básicas e mais ligadas à empatia. “

( http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/749255-professor-de-neurologia-explica-por-que-e-dificil-esquecer-relacionamento.shtml )
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Divórcio: textos e crónicas

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