| | | Divórcio Pacífico - como agir | |
| | Autor | Mensagem |
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 Número de Mensagens: 554 Idade: 38 Localização: Portugal Data de inscrição: 13/06/2008
 | Assunto: Divórcio Pacífico - como agir Ter Jul 14, 2009 11:36 am | |
| A TOMADA DE DECISÃO 1. Assumir que o divórcio é uma situação difícil para todosSegundo Cláudia Morais, terapeuta familiar, «a separação é um processo muito doloroso mesmo para quem teve a iniciativa de avançar com ela». Estar consciente que o sofrimento é vivenciado também pelo outro é determinante para que possamos gerir a situação. Como refere Vítor Rodrigues, psicólogo, «quando assumimos que os outros também estão a sofrer, tendemos a ser mais empáticos e tolerantes». 2. Comunicar a situação aos filhos em conjunto A conversa deve decorrer sem atribuição de culpas e adaptando a linguagem à idade dos filhos. Cláudia Morais exemplifica: «Se as crianças são pequenas é importante centrar as questões num ponto de vista mais prático, garantir-lhes que vão continuar a ter uma casa, quem as ponha na cama, lhes faça mimos ou as leve a passear.» Para Vítor Rodrigues é fundamental que percebam que os pais se divorciam um do outro mas não se divorciam delas. «É precioso que o digam, mas que também actuem em conformidade», acrescenta este especialista. 3. Admitir que os filhos sabem mais do que os adultos prevêemAs crianças estão atentas a tudo, ouvem conversas e fantasiam sobre o que escutaram. É fundamental ouvir os filhos, deixá-los falar à vontade. Todas as perguntas são válidas e devem ser bem-vindas para que, considera a terapeuta, «não haja espaço para fantasmas e se evite, assim, qualquer tipo de culpabilização por parte das crianças». 4. Comunicar a decisão à família alargadaA decisão da separação deve ser transmitida aos familiares pelos elementos do casal e não por outras pessoas. «É a única forma de garantir o controlo da situação, evitar boatos e assim prevenir situações desagradáveis», explica a terapeuta. DURANTE O PROCESSO DE DIVÓRCIO 5. Encarar o processo de divórcio como uma faseSaber que nos vamos sentir melhor no futuro ajuda a ultrapassar a dor e sofrimento. O divórcio é um processo que continua para lá da oficialização da decisão, mas é possível voltar a encontrar a estabilidade emocional. 6. Evitar o isolamentoDeve-se procurar o apoio da família e amigos neste momento em que se está particularmente vulnerável e rodear-mo-nos de quem mais gostamos e de quem mais gosta de nós. Cláudia Morais chama ainda a atenção para a necessidade de se «combater sentimentos de vergonha». 7. Esperar que as crianças façam perguntas para as quais não se tem resposta Na opinião da terapeuta familiar não há problema em admitir que ainda não se tem uma resposta, «desde que se acrescente que os pais vão conversar no sentido de chegar a um acordo». As crianças devem sentir que há negociação entre os pais e que, a seu tempo, os problemas dos adultos vão ser resolvidos pelos adultos. 8. Não criticar o ex-cônjuge Lembre-se que destruir a imagem do outro não traz vantagens nenhumas e atacar os pais é sempre uma forma de agredir e magoar profundamente os filhos. 9. Perdoar o outro É a única forma de se libertar definitivamente do seu ex-cônjuge. O perdão permite «afastarmo-nos do outro em paz de espírito e colocarmo-nos perante ele com alguma neutralidade», diz o psicólogo. DEPOIS DO DIVÓRCIO 10. Fazer o luto Permita sentir-se triste, frustrada e revoltada. «As pessoas devem poder admitir que estão magoadas, que têm pena que o casamento tenha acabado», defende o psicólogo, segundo o qual «espera-se que comecem a reagir ao fim de três meses ou pelo menos que sejam capazes de encarar a vida de uma maneira diferente». 11. Não forçar uma amizade Ser cordial é suficiente, pelo menos nos primeiros tempos. Não exija mais de si ou do seu ex-cônjuge. 12. Apresentar novas relações aos filhosEles acabam sempre por ficar a saber, por isso é melhor saberem por si. «Para além disso, a informação pode ser veiculada de uma forma muito negativa», alerta Cláudia Morais. Segundo Vítor Rodrigues, «as crianças devem ser inteiradas dos dados relevantes da vida dos pais. Percebem que há algo diferente que lhe estão a esconder e sentem-se excluídas». A primeira reacção pode não ser fácil, mas «quando a nova pessoa inclui a criança na rotina e mostra que gosta de estar com ela, até pode sentir que é um lucro afectivo, ou seja, que tem dois pais ou duas mães». 13. Exercer em conjunto o poder paternal O facto de a criança ficar com um dos pais e ver o outro de 15 em 15 dias é, na opinião de Vítor Rodrigues, muito negativo. «Nos bebés até aos três anos, há prazos de separação entre as crianças e os pais que podem levar a uma quebra de vínculo e de confiança praticamente irrecuperáveis», sublinha. Texto: Raquel Amaral com Vítor Rodrigues (psicólogo) e Cláudia Morais (terapeuta familiar)Fonte: Saber Viver in www.sapo.pt |
|  | | tounessa Parte da mobília

 Número de Mensagens: 1578 Idade: 55 Localização: Porto Data de inscrição: 12/10/2008
 | Assunto: Re: Divórcio Pacífico - como agir Qua Jul 15, 2009 12:20 am | |
| Para mim, os pontos 8 e 9 são determinantes.
Quanto ao 12, penso que só se deve comunicar aos filhos a nova relação quanto ela é suficientemente séria. Isto porque não sei o que é pior: se os filhos se sentirem excluídos, se os filhos sentirem outra machadada na estabilidade que pensavam recuperada. |
|  | | tounessa Parte da mobília

 Número de Mensagens: 1578 Idade: 55 Localização: Porto Data de inscrição: 12/10/2008
 | Assunto: Re: Divórcio Pacífico - como agir Qua Jul 15, 2009 11:58 pm | |
| Um depoimento actual e importante … para realçar o “divórcio pacífico”:“Há pessoas que sofrem com separações, outras, muito mais raras, se alegram com isso. Realmente uma separação é sempre um alívio. E alguns logo encontram a “solidão magnífica”, conforme chamou Freud. Mas não sou esse tipo de pessoa e para os homens comuns, separação dói muito. O assunto não me é estranho porque já fiz um filme sobre ele e também porque tive cinco casamentos e cinco separações.No entanto não tenho nada a dizer sobre o assunto. Há coisas assim, quanto mais se vive ou mais se pensa, mas obscuras ficam. Na primeira separação, tinha uns vinte e poucos anos. O nome dela era Eliana. Me desarticulei tanto que não podia sair na rua, achando que os edifícios cairiam sobre mim. Lembro também que foi nessa época que descobri a psicanálise, e logo depois o álcool. Na boemia, no tempo sem tempo da boemia, procurava aflitamente o Amor. Quebrei minha mão dando um soco na parede e fui à sessão de psicanálise tocar uma flauta de plástico que alguém me deu, com a mão engessada. Quero dizer que sofri muito. Na minha segunda separação sofri muito. Tinha três namoradas ao mesmo tempo, e brochava com as três. O nome dela era Leila. Em vez de tocar a flauta, fiz um filme, “Todas as Mulheres do Mundo”. Ninguém duvide disso: Períodos de separação são em geral altamente produtivos. Minha terceira separação, Nazareth, eu tinha quarenta e poucos, sofri muito e não teve graça nenhuma. Eu estava sem dinheiro e vivia minha vida nos corredores dos bancos adiando promissórias, parcelando dívidas, movido por anfetaminas. Naquela época eram vendidas como remédio para emagrecer. Meu quarto casamento, Lenita, durou dez anos e tive uma filha. Maria Mariana. Na quarta separação tinha quase cinquenta, tive poucas namoradas, poucas porém boas. Até que há vinte e oito anos atrás, casei com Priscilla, adorável criatura que me acompanha até hoje. E lá pelo oitavo ou décimo ano de casamento, passamos um ano separados. Se eu tinha desarticulado na primeira, nessa ultima desagreguei, quero dizer, sofri muito. Mas sempre produtivamente. Essa experiência resultou num filme, “Separações”. Se eu cito esses dados biográficos nesta palestra, é apenas para tentar perceber o que há de comum entre essas cinco malditas porém necessárias passagens. Na verdade quase pode ser dito que todo homem solteiro quer casar assim como todo casado quer ficar solteiro. Não conheço nenhum casal decente que não nutra um sólido desejo de separação. Faz parte de um bom casamento, creio. Afinal, o amor tira a liberdade, sem duvida. O que é inadmissível. E a solidão muita vezes é desagradabilíssima e vazia. Enfim assim vamos todos, amando e desamando, carneirinhos a espera do corte. A pergunta que faço hoje em dia a respeito do assunto é sobre a possibilidade de amar, casar e separar sem sofrer. Muito me perguntei sobre o mistério da dor do amor. Para tentar entender a dor do amor existem três indagações sobre o amor, ele mesmo. Primeiro. Porque o amor (a paixão) acaba? Infinita enquanto dura, mas não dura. É por esquecimento de si mesmo? Porque sendo explosão, com tempo se atenua? Porque, tendo dado ao amante sua chance de eternizar-se, não tem mais nada a fazer ali? A segunda indagação vai mais direito ao ponto: Porque dói tanto quando o amor acaba? Porque é tão triste? Porque é inaceitável? Nenhum raciocínio ou vivência autorizou a crença de sua perenidade? Porque afinal nos dilaceramos? Ah, a dor do amor. É mais que uma angústia. É uma febre, uma desidratação. Poucas coisas são tão tristes quanto o fim de um grande amor. Talvez nem o fim da vida seja tão triste. E o que dói? Onde dói? Dói por não ser mais o que era. Dói por tudo que poderia ser, se ainda fosse, mas não será jamais. Dói a perda da paixão, única moeda cósmica que temos a nossa disposição. Porém, acalmemos. Deve haver um motivo objetivo para tanta dor. Examinemos metodicamente uma a uma as perdas. O que se perde quando é perdido um amor? Talvez a moeda cósmica? Não, não deve ser isso. Todos os homens sofrem separações e nem todos se importam com o cosmos. A perda do objeto sexual? Também não deve ser isso. Há muitas Marias para cada João. Qualquer coisa ligada a ciúme de terceiros? Mas há separações que não envolvem terceiros, nem por isso deixam de ser sofridas. Tão pouco são razoáveis as explicações psicológicas, quebra da fantasia, falência de um investimento sentimental ou qualquer coisa desse tipo. Mas também não é isso. Homens maduros, estudiosos, que certamente ultrapassaram esse tipo de acontecimento psicológico também sofrem como cães envenenados. Aprofundemos essa espiral. Talvez o horror da solidão quando convivemos muito com a pessoa amada, perdemos totalmente a noção de como somos sós no mundo. Nossa íntima alegria ou dor é compartilhada, ganhamos um ouvinte interessado e perder isso, convenhamos, é perder muito. Talvez o medo da liberdade, citando Dostoievski, meu caro companheiro desde a adolescência, “Não há nada que o homem deseje mais do que a liberdade, nem nada que lhe seja tão doloroso”. Na terceira indagação sobre o amor pergunto se ele é necessário. Na pesquisa da verdade todas as hipóteses devem ser levantadas, mesmo as deselegantes. Existirá mesmo um grande homem só? Não será um homem um animal ou dois? Como intuía os antigos gregos, um ser cuja biológica natureza verdadeira é ser parte de uma unidade maior, chamada casal. Se a função da hipótese é responder paradoxos, esta é a meritosa, posto que pelo menos explica a dor do amor. Dói porque falta uma parte, tanto quanto doeria se nos arrancassem um braço ou um olho. Quando escrevi o roteiro do filme “Separações” eu tinha farto material a respeito. Tanto retirado da minha vivência quanto daquela dos amigos, mas não conseguia fechar a história. Somente pude fazê-lo quando lembrei da Kubler Roth e de suas fases pelas quais obrigatoriamente passa um doente terminal. Quando reparei que elas podiam coincidir com as fases do meu herói ridículo num período de separação, o roteiro ficou resolvido. Somente é possível comparar a separação de dois amantes com a morte de um homem. No filme minha ordem é: a Negação (“Não! Não pode ser! É mentira, ela vai voltar. Foi uma briguinha à tôa.”), a Negociação (“Se ela voltar para mim eu paro de fumar, subo os degraus da Penha, nunca mais vou ser galinha”), a Revolta (“Quero te matar, sua puta!”) e a Aceitação, que é quando se arranja outra namorada. Ou então a mulher volta. Observe que tomei certas liberdades com a Kubler Roth. Inverto a ordem, que é: a Negação, a Revolta, a Negociação, a Depressão e a Aceitação. E dou por subentendida a fase da depressão. Bem, espero que quem não viu possa ver o filme. É muito engraçado ver aquele homem arrastando-se pelo chão, pagando todos os micos possíveis para recuperar a mulher amada. Hoje tenho 72 anos, continuo querendo me separar da Priscilla, e ela de mim naturalmente, posto que somos normais e tenho a impressão que poderíamos fazer isso alegremente sem nenhum ciúme e nenhuma dor. Tenho essa exata impressão e com a mesma convicção que não acredito absolutamente nela. Morro de medo de me separar da Priscilla. Creio, concluindo, que é uma questão genética. Há homens que nasceram para viver sozinhos, e certamente não sou um deles. A verdadeira arte de viver talvez seja tentar ser aquilo que você é. O que evidentemente é muito difícil.”Domingos Oliveira, http://bravonline.abril.com.br/blog/domingosoliveira/ |
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